Mais um caso de racismo vem à tona e mostra o quanto é cruel a discriminação por causa da cor da pele. Desta vez, o caso aconteceu na cidade de Araporã, localizada no Triângulo Mineiro, que fica a aproximadamente 660 km de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.

Dois áudios feitos pelo WhatsApp da mãe de duas alunas da rede municipal de ensino daquela cidade estão sendo amplamente divulgados. Neles é possível ouvir a mulher falando com desprezo das professoras negras da escola onde as filhas estudam, e, infelizmente, a criança também compactua do modo da mãe enxergar a vida, pois está sendo educada por uma racista. Em um dos áudios, a criança também fala de maneira pejorativa sobre a professora negra. [VIDEO] "Que chato, tia, tudo negro.

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Tudo preta".

De acordo com o portal de notícias online do jornal 'O tempo', a dona de casa que não teve seu nome divulgado, foi ouvida pela Polícia Civil de Araporã, nesta segunda-feira (28) e afirmou que tudo não passou de uma brincadeira que gerou um grande mal entendido, mesmo que em uma das gravações ela tenha dito: "Não gosto de preto mesmo. Todos que chego perto é 'subaquento' (sic)". Saiba mais.

Ofensa racista

Com o retorno das aulas no dia 3 agosto, a dona de casa foi informada que a professora de sua filha de 10 anos seria substituída pela mestre Vanilda Batista de Oliveira, de 42 anos. Vanilda, que ficou sabendo das ofensas e recebeu os áudios na última semana, procurou a polícia e registrou o boletim de ocorrência. A professora se disse muito entristecida diante deste caso e lamentou que tais áudios tenham sido publicados em vários grupos no WhatsApp.

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"Ninguém nasce racista. O racismo, infelizmente, se aprende ao longo da vida", desabafou Vanilda.

Segundo a professora, a criança, de 10 anos, está faltando às aulas desde que ela descobriu o caso, e que a menina foi somente uma vez na aula neste período. Vanilda afirma que a menina é muito boazinha e que a tratou normalmente. Infelizmente, como toda a cidade ficou sabendo do ocorrido, outros alunos da escola trataram a coleguinha de maneira diferente.

Brincadeira?

O delegado responsável pelo caso, Armado Filho, disse que a mulher confirmou que a voz presente nos áudios é dela, contudo, afirmou que não passou de uma 'brincadeira', de muito mau gosto, diga-se de passagem, e disse que está bastante envergonhada. Além de Vanilda, a mulher também citou a professora da filha mais nova: "Ela tem o beiço revirado. Para passar batom naquele "beição", tia, gasta uns quatro batons", disse a mulher.

O delegado informou que a suspeita pode responder por injúria racial [VIDEO], com pena de um a três anos de prisão.

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Nota da Prefeitura de Araporã

A Prefeitura de Araporã veio a público por meio de uma nota, mostrar sua posição e lamentar o ocorrido:

"A Prefeitura de Araporã vem a público manifestar seu repúdio a recentes demonstrações de racismo divulgadas em redes de mensagens de WhatsApp contra professoras de etnia negra que atuam em nossas escolas com profissionalismo, desvelo e paixão pelo magistério".

Ouça os dois áudios que estão sendo compartilhados nas redes sociais:

#Crime de racismo #Escolas e Educação