''O mundo é um lugar horrível pra ser #Mulher'', escreveu a escritora gaúcha Clara Averbuck, em sua denúncia/desabafo em seu Facebook, nesta segunda-feira(28), após ter sido estuprada por um motorista de Uber.

Clara contou em sua postagem que o motorista se aproveitou de seu vestido para tocá-la e introduzir o dedo em suas partes íntimas, ao perceber que ela estava alcoolizada e considerá-la uma vítima vulnerável. A escritora contou ainda, em uma outra postagem contendo um vídeo no qual explicava detalhadamente sua decisão de não ir à delegacia, que o motorista se recusou a parar o carro em frente a sua casa, parando na rua ao lado, já claramente mal intencionado. [VIDEO]

Sobre a sua decisão de não ir à delegacia registrar o ocorrido, Clara afirma que seria ''submeter-se à mais uma violência'', uma vez que, na esmagadora maioria dos casos, o depoimento de uma mulher que acaba de sofrer violência sexual é pontuado por questionamentos cheios de dúvida e julgamento por parte das autoridades.

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A escritora conta que já acompanhou amigas e até desconhecidas à delegacia para registro de crimes sexuais e que já sabe o que a espera.

''Violência sexual é o único crime que a vítima é que tem que provar'', escreveu Clara em seu post no Facebook.

O motorista chegou a derrubar Clara no chão, deixando-a com um hematoma em um dos olhos e um ferimento na testa, porém, como não há indícios de sêmen em suas roupas ou corpo, a escritora acredita que isso não será o suficiente para que ela possa ''provar'' a violência sofrida.

''Algumas pessoas pensam que estupro é apenas quando um homem enfia o pênis em algum lugar. Não se estupra apenas com o pênis.'', explicou ela em seu vídeo no Facebook.

Em 2016, a escritora declarou já ter sido vítima de abuso sexual quando tinha apenas 13 anos de idade, e que não incorreria ao mesmo erro de se considerar responsável pela violência sofrida, mesmo tendo se sentido culpada por ter bebido e se colocado em uma posição de vulnerabilidade.

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''A culpa não é minha. Eu sei.'', escreveu ela.

O desabafo de Clara viralizou rapidamente nas redes sociais. A escritora diz que não esperava tamanha repercussão, e que não tem intenção de fazer sensacionalismo em torno disso, recusando portanto, convites para ir a programas de televisão ou dar entrevistas sobre o assunto.

Em nota, a Uber informou que baniu o motorista em questão de sua plataforma e que repudia a atitude do mesmo. A empresa se colocou à disposição das autoridades em colaboração com as investigações do caso.

''Acreditamos que é importante coibir, combater e denunciar casos de assédio e violência contra a mulher'', dizia a nota.

#MeuMotoristaAbusador

Sua denúncia acabou por gerar também a campanha #MeuMotoristaAbusador, na qual as mulheres contam, através desta hashtag, os abusos que sofreram por parte de motoristas de táxi e Uber. Os relatos são os mais incômodos e revoltantes possíveis.

''Nem dois minutos no carro e ele (o motorista) já elogiou minhas pernas. (...) Desci do carro, agradeci e ele ainda soltou um 'Você é muito gata'.

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Pediu meu telefone, não passei. Dois dias depois me chamou no Whatsapp, dizendo que tínhamos um amigo em comum e que ele havia passado meu telefone (ainda não sei quem foi ou como ele conseguiu realmente meu número). Tentei ser educada, ele insistiu e tive que pedir a um amigo que gravasse um áudio dizendo ser meu namorado, e depois o bloqueei. Dois meses depois o encontrei no trem e ele me seguiu até a plataforma onde eu pegaria o ônibus'', escreveu uma internauta.

Outra contou que, num momento de extrema necessidade, pegou um táxi do aplicativo 99 Táxis, e foi cantada pelo motorista, que falava de sua vida amorosa, de seus envolvimentos com prostitutas e de suas aventuras sexuais, e chegou a travar as portas e passar a mão em sua perna, quando já estavam bem próximos da casa dela.

Ao que parece, Clara tem razão: ''O mundo é um lugar horrível pra ser mulher''. #machismo #Feminismo