Arlindo Chinaglia do PT/SP, Eduardo Cunha do PMDB/RJ e Júlio Delgado do PSB/MG. Façam suas apostas, senhoras e senhores. Os dois primeiros nomes são os fortes da disputa, deixando a cargo do mineiro a pecha de azarão. Como na política ninguém dá ponto sem nó, as candidaturas dessas três nobres excelências vão fazer com que eles se mantenham na mídia, mesmo se não levarem o prêmio maior.

O Governo está apostando as fichas, claro, no petista Arlindo Chinaglia, porém o carioca Eduardo Cunha tem a seu favor o clima anti-PT que está tomando conta das hostes políticas em Brasília, e por consequência (ou seria causa?), no resto do país.

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A base da campanha de Eduardo Cunha é a busca por uma independência entre os poderes Executivo e Legislativo.

Existente já desde algum tempo, o vínculo entre esses poderes impede a livre atuação da Câmara e do Senado por causa de acordos, pressões e negociatas feitas com a cúpula do poder executivo à presidência da república.

E para manter essa conexão, de preferência bem estreita, o Governo vai fazendo pressão para que o seu candidato consiga ser novamente o presidente da Câmara. Chinaglia foi eleito em 2007, mesmo não sendo o candidato da presidência na época.

Sua atuação, considerada exemplar, é alvo do desejo de repetição pelo Governo. Desta vez a reivindicação do PT tem em mente o enfrentamento das disputas que as oposições vão apresentar no futuro. Arlindo Chinaglia tem a seu favor o apoio dos partidos PCdoB, PSD e Pros.

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Eduardo Cunha é persona non grata pelo Governo, principalmente por sua postura pouco diplomática para o cargo, como se apresenta o atual líder, o potiguar Henrique Alves do PMDB. Eduardo é duro na queda e não flexibiliza muito suas posições, causando temor à presidência, que sempre é refém das casas legislativas para aprovação de sua política. Seus apoios são PMDB, PR, PSC, PTB, além do Solidariedade.

Julio Delgado tem o apoio do seu partido, o PSB, do PPS, do PV e do PSDB. Sua campanha de azarão se pauta em discutir pontos relativamente pequenos, não obstante a importância que tenham na vida do país. Um desses pontos é a não regulação da mídia, como a presidente Dilma já propôs. Outro ponto é a autonomia da Câmara para eleger as pautas a serem votadas, que hoje são motivo de manipulação por parte das urgências exigidas pelo Governo. Essa manobra acaba deixando de fora matérias importantes para o país, mas que não foram consideradas consensuais pelos partidos e, por isso, ficam esperando uma outra oportunidade para entrarem na pauta.

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Se há algo de bom nessa disputa é a exposição dos problemas que buscam por solução através das propostas dos candidatos. Ruim é que essa eleição não atinge a população, que pouco vai saber qual seria a melhor opção, qual a menos adequada e por que.

Infelizmente essa distância que o povo mantém da política que se realiza nos gabinetes e nos plenários só deixa o país mais frágil e o cidadão mais desprotegido.

Podemos, pelo menos, torcer para que os nossos representantes façam o seu papel e nos representem mesmo, elegendo o melhor candidato para liderar a casa que legisla a nossa vida, e não para legislar em causa própria. Afinal, o que eles fizerem lá, a gente sente aqui. #Eleições #Legislação