Objetos do cotidiano transformados em arte: assim são os ready-made, criados há 100 anos pelo francês Marcel Duchamp. Para comemorar o centenário, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) preparou a mostra 'Ciclo: Criar com o que Temos', com obras de 15 artistas contemporâneos de várias nacionalidades. A mostra, que já passou por São Paulo e Belo Horizonte, fica em Brasília até 20 de abril.

Devorando a cidade

Uma das atrações é o trabalho do chinês Song Dong, Comendo a Cidade: uma maquete com ícones da cidade de Brasília construída com mais de 600kg de biscoitos e balas, que os visitantes poderão devorar a vontade.

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Belo Horizonte e São Paulo já tiveram sua versão devorada - e até agora ninguém reclamou de indigestão.

Cultura do Excesso

Uma característica comum das obras é o excesso: todas foram criadas a partir de grandes quantidades de algum material, de armas de fogo a palitos de dente. E o resultado é uma mostra surpreendente, que diverte e faz refletir sobre os excessos que permeiam nossa sociedade. #Entretenimento

Confira a relação das obras e do que elas foram feitas:

  • Microdados (Daniel Canogar): instalação criada com placas de circuito descartadas;
  • Espelho de Lixo nº 3 (Daniel Rozin): espelho eletrônico feito com 500 objetos descartados, como latas e cartões telefônicos;
  • O Sol me ensinou que a história não é tão importante (Daniel Senise): tijolos de papel machê feitos a partir de convites e catálogos de arte;
  • Cabeça de Chiclete (Douglas Coupland): escultura gigante da cabeça do artista, onde o público pode colar chicletes mascados;
  • A Noiva (Joana Vasconcelos): lustre de 5 metros de altura composto por 25.000 absorventes internos;
  • Modelo para sobrevivência (Julia Castagno): estrutura tridimensional construída com mais de 100.000 palitos de dentes;
  • 2.216 Fitas VHS (Lorenzo Durantini): instalação feita com 2.216 fitas de vídeo VHS;
  • Tornado (Michael Sailstorfer): grandes nuvens criadas com câmaras de ar de pneu de caminhão;
  • O Terceiro Paraíso (Michelangelo Pistoletto): escultura de sucata metálica;
  • Desarme (Pedro Reyes): 8 instrumentos automatizados criados a partir de armas recolhidas do narcotráfico mexicano;
  • Fantasma de Eguchi (Petah Coyne): escultura fantasmagórica feita com um trailer de viagem que foi todo desfiado em máquina industrial;
  • O Empurrão de Sansão (Ryan Gander): escultura composta por 35 mesas;
  • Comendo a Cidade (Song Dong): maquete confeccionada com mais de 600 kg de doces;
  • Sem título (Tara Donovan): escultura-paisagem criada com 700.000 copos plásticos;
  • Vamos dar um tempo (Tayeba Begum Lipi): escultura feita com lâminas de barbear.

O CCBB Brasília fica no Setor de Clubes Esportivo Sul - SCES, Trecho 02, lote 22, e funciona de quarta a segunda, das 9h às 21h. A mostra fica em cartaz de 05/02 a 20/04, com entrada franca.