A mineira Maria Odete Silva, de Araçuaí (M.G), cidade com 36 mil moradores, é vendedora de churros na rodoviária de Brasília no Plano Piloto. Por lá passam muitas pessoas e entre uma parada e outra aproveitam para comprar a guloseima feita pela Odete.

UMA MINEIRA ESFORÇADA

Odete residia com a mãe e dois irmãos no interior e a família resolveu ir morar em São Paulo, ficaram por quatro anos na casa de uma tia. A sua mãe decidiu voltar para a cidade de Araçuaí junto com os filhos e Maria Odete continuou morando na capital.

UMA TRAGÉDIA

Ao retornar para a sua cidade, a mãe de Maria sofreu um acidente e veio a falecer. Ela estava em um caminhão de boias frias quando caiu e morreu.

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Odete não pôde dar o último adeus a sua mãe, pois estava em São Paulo.

A BATALHA

Maria foi trabalhar como empregada doméstica e ficou em uma casa dos 12 aos 19 anos. Por causa do serviço ficou difícil para estudar, pois se sentia muito cansada. Ela se casou, deixou o emprego e foi morar no interior de São Paulo onde viveu com o esposo por três anos e meio, até que a união chegou ao fim.

Odete voltou para São Paulo e solteira trabalhou como babá, acabou se casando novamente com Marcos e teve dois filhos.

Ocorreu uma inundação em sua casa, ela havia comprado sacos de balas e pirulitos e mesmo após a enchente, as guloseimas estavam boas para o uso. Diante desse fato ela resolveu vendê-los na calçada, fez uma barraquinha com a porta do seu guarda-roupa danificado pelas águas e por meio da venda dos doces ela obteve lucros.

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A família precisou ir morar em Brasília por causa da doença pulmonar do filho Marcos Júnior, com isso Odete resolveu voltar a estudar no SESC (programa de #Educação de jovens e adultos), pois precisava terminar o ensino médio.

Começou a comercializar churros na rodoviária de Brasília e com o dinheiro que ganhava sustentava a família. Mas Maria Odete não desistiu dos seus estudos e iniciou o curso de Direito em uma faculdade particular onde pagava R$907 de mensalidade. Ela mantinha o curso com a venda dos churros. Não foi fácil, ela conta que chegou a atrasar as parcelas, mas contou com a compreensão dos funcionários da faculdade. Atualmente faltam quatro matérias para se formar bacharel em Direito, mas também sonha em passar no concurso público para promotora.

Para Maria não é fácil conciliar a vida de vendedora com a familiar e a faculdade, de acordo com ela o seu tempo para estudar é curto. Odete aproveita para ler os livros quando o movimento é pouco, mas não desiste e com garra e esforço pretende concluir os estudos. #Trabalho #Comportamento