Com a decisão do Senado Federal de aprovar o #Impeachment de Dilma Rousseff (PT) - o que causará, em primeira ordem, o afastamento da presidente até que o processo seja julgado, com o limite de 180 dias para o resultado definitivo -, o Brasil terá o seu primeiro presidente inelegível, desde 1964, quando Castelo Branco assumiu em eleição indireta. #Michel Temer (PMDB) foi condenado pelo TRE/SP em maio por doações de campanha acima do limite, sendo proibido de participar de eleições pelos próximos oito anos e incluído na lista "negra" da lei da Ficha Limpa. A decisão, porém, cabe recurso.

No golpe civil-militar de 1964, a escolha indireta por Castelo Branco configurou-se em um processo ilegítimo, já que o marechal nem sequer fazia parte da Câmara ou do Senado, tampouco de algum partido político, não sendo elegível e, portanto, não podendo assumir sem ser por intermédio de um golpe.

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Embora a Constituição dê o direito de Michel Temer assumir a presidência interina mesmo estando inelegível, é um fato relevante que um presidente posto no cargo indiretamente pelo poder Legislativo para "combater a corrupção" seja, na realidade, denunciado pela Lava Jato e condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral. O novo presidente interino do Brasil começa o seu governo já com o nome envolvido em corrupção.

AS POLÊMICAS DAS VOTAÇÕES E DOS MINISTÉRIOS

Desde a Comissão para o Impeachment na Câmara dos Deputados, percebeu-se que a maioria dos políticos a favor do impedimento de Dilma Rousseff estavam envolvidos em atos ilícitos. A sessão parlamentar do dia 17 de abril foi comandada pelo ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), cuja ficha criminal inclui contas ilegais na Suíça e Caixa 2 em campanhas.

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Segundo o jornal El País, mais de 60% do senado, que nesta madrugada confirmou o afastamento da presidente, já foi denunciado juridicamente. O presidente da Casa - Renan Calheiros - é acusado de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Há também a polêmica da montagem de ministérios. Uma das principais propostas de Temer é reduzir o número de pastas para cortar gastos. Porém, os aliados no processo de impeachment já sinalizaram que querem cargos e, portanto, o corte no número de ministérios, no máximo, será pequeno. A formação ministerial também já causa polêmica. Sem nenhuma mulher escolhida para alguma pasta, as escolhas de Temer têm sido conservadoras e à direita, como o possível novo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, atual secretário de segurança pública do Estado de São Paulo, que já foi advogado de empresas ligadas ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e é acusado de violação dos Direitos Humanos em repressões feitas pela PM a protestos contra o governo Alckmin.