O que deveria ser uma noite de diversão e de auto-afirmação se transformou em caso de polícia na última quinta-feira, 26 de maio, em Brasília. Um grupo de mais de 50 mulheres lésbicas e bissexuais foi impedido de entrar na casa de shows Garota Carioca. De acordo com uma das meninas do grupo, a estudante de design Bárbara Martino, elas tinham a intenção de  aproveitar uma promoção realizada pela casa, que prometia bebidas e entrada grátis para todas as mulheres que se cadastrassem em uma lista do evento.

"Estas promoções visam objetificar as mulheres. Então nós, do Coletivo Namoradas (grupo que luta pela visibilidade lésbica e o empoderamento feminino), decidimos fazer uma intervenção no evento.

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Nós, homossexuais e bissexuais, fora dos padrões hétero de agir e vestir, iríamos nos divertir neste evento que desejava usar mulheres como iscas para atrair um público masculino", revela Bárbara

Ainda de acordo com ela, todas as meninas do grupo enviaram seus nomes para a lista, a fim de se divertir na festa sem pagar nada. "Chegamos no Garota Carioca bem cedo, justamente para evitar que ficássemos de fora no caso do espaço lotar. Quando a casa abriu, por volta das 22 horas, as meninas do nosso grupo que estavam na nossa frente na fila, vestidas de tubinho, salto alto, enfim, no padrão heteronormativo, entraram sem problemas. Quando chegou a vez das garotas mais masculinas, de cabelo curto, a promoter da festa disse que nossos nomes não estavam na lista. Éramos 52 meninas, e a casa de shows disse que nenhuma dessas meninas tinha colocado o nome na lista, e que para entrar deveríamos pagar 60 reais", conta.

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Insatisfeitas, as meninas do grupo barrado começaram a questionar a promoter sobre a coincidência de todas elas estarem de fora da lista. Neste momento, segundo a denunciante, os funcionários da Garota Carioca formaram uma nova fila com as garotas heterossexuais que aguardavam suas entradas. "Uma de nossas amigas, com aparência heterossexual, foi então para esta nova fila. E aí a surpresa: o nome dela magicamente apareceu na lista", revela a ativista Manuela Oliveira, que também faz parte do Coletivo. "Só que tem um detalhe curioso: nós enviamos o nome para a lista em vários emails. Cada email tinha cinco nomes. Se o nome dessa nossa amiga estava na lista, a de outras quatro também deveriam estar", conta Manuela. Após nova discussão, o grupo decidiu desistir de entrar, mas passou a denunciar o episódio nas redes sociais.

Primeira discriminação

Este foi o primeiro episódio de homofobia sofrido por Manuela. "Eu ainda não consegui digerir tudo, foi a primeira vez que fui discriminada. Me senti uma m* por ser julgada pela minha aparência e pela minha orientação sexual.

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Prego um feminismo que acredita na liberdade de agir e vestir, de ser como eu quiser. Foi horrível ser barrada e ver as demais pessoas entrando, olhando pra gente, fazendo comentários maldosos e piadinhas machistas. Me senti péssima", desabafa Manuela

Garota Carioca se defende

A casa de shows Garota Carioca contesta as informações passadas pelo Coletivo Namoradas. De acordo com a porta-voz do estabelecimento, Tiana Silva, as ativistas queriam entrar na casa e consumir as bebidas de graça mesmo sem ter seus nomes na lista, causando grande tumulto. "Temos funcionários homossexuais e não discriminamos ninguém", afirmou Tiana.  #Casos de polícia #Homofobia