Alexandre de Moraes, escolhido por Temer para chefiar o Ministério da Justiça e Cidadania (que passa a englobar a Secretaria das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos), tem uma atuação no mínimo duvidosa em sua carreira político-administrativa.

Moraes iniciou sua carreira como promotor no Ministério Público de São Paulo, posteriormente concluindo seu doutorado e assumindo também a livre-docência em Direito Constitucional na USP. Em 2002, foi convidado pelo então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para assumir a Secretaria de Justiça do estado.

No ano de 2005, como presidente da antiga FEBEM, demitiu grande parte dos servidores que, após ingressarem com ação na Justiça, foram reintegrados ou indenizados.

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Sua gestão deixou um passivo trabalhista milionário (custo gerado quando uma empresa ou empregador deixa de cumprir com suas obrigações trabalhistas ou recolhimentos de encargo sociais).

Posteriormente, acumulou as pastas de Transportes e Serviços na Prefeitura de São Paulo durante a gestão de Gilberto Kassab, mas rompeu com o prefeito em 2010. Passou então a atuar como advogado até ser novamente convidado por Alckmin, em 2015, para assumir a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

Sua atuação como advogado é também polêmica, tendo sido contratado pela Transcooper, cooperativa de vans citada em investigação que apura os crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilhas do Primeiro Comando da Capital (PCC). Moraes defendeu a organização em pelo menos 123 processos na área civil.

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Alexandre foi ainda advogado de Eduardo Cunha em uma ação no STF relativa ao uso de documentos falsos, conseguindo sua absolvição - o que, aliás, levou à sua indicação para o ministério, por sugestão do próprio Cunha.

Enquanto comandava a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, foi bastante criticado por endossar a ação truculenta da polícia contra manifestantes, sendo a primeira gestão a lançar mão do uso de blindados israelenses no enfrentamento das manifestações. Sob sua chefia, a Polícia Militar foi responsável pela morte de 25% dos indivíduos assassinados no estado de SP.

Em abril de 2015, à ocasião de um ataque em que uma funcionária do Metrô foi amarrada e estuprada dentro da própria cabine onde trabalhava, o então Secretário de Segurança Pública fez a seguinte declaração: "Não se consumou o roubo do cofre. É importante que isso seja colocado para mostrar que há segurança onde se guarda os valores no Metrô". Moraes não somente colocou o estupro de funcionária, cujo estado deveria garantir a segurança, em segundo plano, mas também minimizou o crime, acrescentando que "as estações são bem protegidas tanto que um crime como esse é uma excepcionalidade. Em princípio, não há necessidade de maior segurança". 

Como ministro, Alexandre é agora responsável pela proteção e garantia dos direitos das mulheres durante o governo de Temer. #Michel Temer #Crise-de-governo