O deputado federal Eduardo Cunha, do PMDB do Rio de Janeiro, decidiu fazer revelações pela primeira vez desde que foi afastado da presidência da Câmara dos deputados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista publicada neste domingo, 15, pelo jornal 'Folha de São Paulo', Cunha disse que em seu único encontro a sós com a líder petista, realizado em setembro do ano passado, ela teria oferecido ajuda ao parlamentar, cedendo a ele um auxílio de cinco Ministros da mais alta corte do país. "Ela me convidou para falar de medidas e disse que tinha cinco Ministros do Supremo para me ajudar", confessou Eduardo em entrevista ao maior jornal do país. 

Na época do encontro, Eduardo já tinha sido denunciado pelo Ministério Público, que o acusava de corrupção e lavagem de dinheiro.

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Ao mesmo tempo, o então presidente da Câmara pensava em abrir o processo de impeachment contra a petista. Sabendo disso, Dilma tentou o diálogo e uma troca de favores. Questionado pela 'Folha' sobre o porquê de ter mantido em segredo a informação sobre a oferta de Rousseff, o parlamentar carioca respondeu que teve dois motivos para realizar tal ação. Uma delas é o fato de não acreditar que a presidente fosse capaz realmente de fazer algo, a segundo é que a líder do país não contou o que poderia fazer. 

Na entrevista, Cunha disse que foi alvo de uma "cassação branca", uma espécie de perseguição por ter sido o responsável por abrir o processo de impedimento da agora presidente afastada.  A aceitação do pedido formulado por advogados renomados, como a Professora da USP Janaína Paschoal e o jurista Miguel Reale junior, aconteceu horas antes de uma votação no Congresso, que poderia aprovar as manobras fiscais da petista.

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Assim sendo, os Senadores foram pressionados a analisar com mais cuidado a questão das "pedaladas fiscais". Meses depois, em 17 de abril de 2016, ao comando de Eduardo, mais de 500 deputados votaram na Câmara. Desses, 367 foram a favor do prosseguimento de impeachment. No dia 12 de maio, já com Cunha afastado, 55 dos 81 Senadores fizeram o mesmo movimento.  #Dilma Rousseff #Eduardo Cunha