O afastamento da presidente Dilma trouxe consigo um fato inesperado, a exoneração de 28 ministros do governo. Mantiveram-se nos cargos apenas os ministros da Saúde, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e Ciência, Tecnologia e Inovação, além do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

Com a presidência interina de #Michel Temer, os ministérios serão assumidos por homens de sua confiança - literalmente - apenas homens, sendo este o primeiro governo desde o regime militar a não ter nenhuma mulher à frente de uma pasta ministerial. Alguns dos nomes são de sujeitos reconhecidos pela competência de atuação na área em que assumem, contudo, a delegação de tamanho poder a certos políticos é fonte de preocupação, bem como a fusão de ministérios.

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Uma das possibilidades cogitadas pelo governo Temer é a de fundir o Ministério da Cultura com o da Educação, algo que poderia prejudicar o desenvolvimento de ambas as áreas e não traria grandes vantagens em termos de economia pública.

Outra escolha de Temer que chega a ser inquietante é a de colocar Alexandre de Moraes (PSDB), atual Secretário de Segurança do governo Alckmin, como ministro da Justiça e Cidadania. Moraes não é somente um apoiador da ação policial truculenta contra estudantes que protestaram pelas medidas na educação do governo de São Paulo; ele foi advogado de Eduardo Cunha e atuou em processos civis a favor da Transcooper, cooperativa de vans citada em investigação sobre o PCC, que a usaria como instrumento para lavagem de dinheiro.

E ainda o Ministério da Justiça e Cidadania, sob chefia de alguém conhecido por atacar movimentos sociais e estudantes, que passará a abrigar as Secretarias da Mulher, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (pastas que, portanto, deixam de ser ministérios).

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Na pasta da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ficará Blairo Maggi (PP), bilionário conhecido como o "rei da soja". Quando governou o estado do Mato Grosso em 2005, foi considerado grande promotor do desmatamento e da destruição da Floresta Amazônica, merecendo o "prêmio" Motosserra de Ouro, criado pelo Greenpeace.

Dentre os demais escolhidos, 7 deles são investigados na Operação Lava Jato, como é o caso de Romero Jucá (PMDB), que deve assumir como ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão.  #Impeachment #Crise-de-governo