A entrevista concedida pelo presidente interino ao programa "Fantástico", da Rede Globo, repercutiu na forma de "panelaços" na noite deste domingo, 15 de maio. O bater de panelas, juntamente a gritos de "Fora, Temer" e "Temer golpista", apitos, buzinas e vaias, foram ouvidos em várias capitais, dentre elas São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília, durando cerca de meia hora.

Em sua fala, Temer reforçou a importância de se unificar o país e afirmou que "a unificação do país significa a unificação dos partidos políticos, dos empregadores com os trabalhadores, enfim, um esforço conjunto da sociedade brasileira para que nós possamos sair da crise em que nós nos achamos".

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Aparentemente, suas escolhas ministeriais estão relacionadas a essa busca por unificação, ao delegar cargos a políticos do PSDB, DEM e PP. No entanto, ao deixar de fora partidos que se opõem à chamada política neoliberal, o agora presidente deixa claro que a unificação com a esquerda não é uma preocupação real.

Na própria entrevista, a questão da impopularidade, segundo Temer, não seria um problema se sua gestão fosse bem sucedida em melhorar a atual condição do país. Disse ainda que pretende manter os programas sociais, constatando que há necessidade de cortes nos gastos públicos, mas que os mesmos ocorreriam em outros setores, e não "daqueles mais carentes no país".

Até ao momento, contudo, prevalece o temor de que a cultura e a educação sejam prejudicados com a junção dos ministérios e a preferência por parcerias público-privadas que poderiam levar à privatização das universidades federais, por exemplo - lembrando a nebulosa qualidade do ensino superior durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

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Em relação à cultura, uma possível queda em investimentos pode gerar desemprego e crise em um setor que ainda carece de medidas de desenvolvimento.

Quando perguntado sobre ter diversos investigados pela justiça em seu primeiro escalão, Temer se restringiu a reafirmar a competência dos escolhidos, chamando-os de "notáveis" e elogiando Romero Jucá, ministro do Planejamento, dizendo que, no caso de ele se tornar réu, irá "examinar" o que fará. Declarou, ainda, que demitirá quem cometer irregularidades. Para a população, a seleção dos ministros e a extinção da Controladoria Geral da União não favorece a afirmação de que haverá combate efetivo à corrupção.

Diante do discurso do atual presidente, resta ao brasileiro esperar. Se, por um lado, a melhora da situação econômica é uma possibilidade real com a implementação de cortes nos gastos, por outro lado, a condição interna das instituições precisará ser observada com cuidado, para que a referida melhora econômica não ocorra às custas do pouco que se conquistou no âmbito da educação, da cultura e dos direitos sociais. #Impeachment #Michel Temer #Crise-de-governo