O presidente interino, Michel Temer, assumiu na última quinta-feira (12) e já causou um grande rebuliço na sociedade ao montar seu time de ministros. Um dos pontos mais criticados da era PT foi o que ficou conhecido como governo de coalizão, quando existem acordos entre os partidos para se ter uma base aliada hegemônica, e foi exatamente esse estilo para montar o ministério que Temer assumiu.

Dos 23 ministérios que compõem o governo Temer, 13 são liderados agora por congressistas, ou seja, políticos que estão em exercício de seus mandatos seja na Câmara ou Senado, esses mesmos que ajudaram a dar prosseguimento ao impeachment com seus votos.

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Esse número representa 57% do total de ministros.  Para se fazer um comparativo com o governo anterior, Dilma Rousseff iniciou o segundo mandato em 2015 com 39 ministérios, sendo 7 pastas comandadas por congressistas. Esse número representa 18% do total.

Os partidos que receberam as pastas pelo seu trabalho no Congresso foram: PMDB (3), PSDB (2), PP, DEM, PV, PPS, PTB, PR e PSB.

Casa Civil

O ministro-chefe da Casa Civil de Temer, seu braço direito, é um velho conhecido na esplanada dos ministérios. Eliseu Padilha era Secretário da Aviação Civil do governo Dilma, e anteriormente, já havia sido ministro dos Transportes de FHC.

Padilha é muito próximo de Michel Temer, e será seu conselheiro. Ele foi uma nomeação do vice-presidente, à época, para o ministério de Dilma, mas sua função primordial era fazer a interlocução da bancada do PMDB com o Governo.

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Seu desembarque do governo Dilma se deu logo a aceitação do pedido de impeachment por parte do deputado afastado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele se dizia dividido sobre o processo, então não poderia mais fazer parte do governo.

Fazenda

Henrique Meirelles, novo ministro da Fazenda de Michel Temer, é uma forte sinalização para o mercado e a esperança do presidente interino de melhorar a economia do país. O ex-presidente do Banco Central, de 2003 a 2011, é um dos poucos “notáveis” que Temer jurou que iriam fazer parte do seu ministério.

Com pouco mais de 24h do governo Temer, algumas sinalizações fortes já foram dadas por parte de Meirelles. Em entrevista para a Rede Globo na última sexta-feira (13), Henrique Meirelles afirmou que a Reforma da Previdência é uma de suas prioridades, afirmando que a proposta é de elevar a idade mínima para a aposentadoria.

A famosa CPMF, que levou a todo o escarcéu feito pela FIESP com a campanha “Eu não vou pagar o pato”, e com um grande financiamento por parte de Paul Skaff ao impeachment, não está descartada pelo novo ministro da Fazenda.

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O aumento do salário mínimo está mantido, segundo Meirelles. Em janeiro de 2017 ele deverá chegar a R$ 946. Um outro ponto marcante da proposta do novo ministro de Temer é cortar despesas. Ele garante que os programas sociais serão mantidos como estão, inclusive o último aumento dado no Bolsa Família por Dilma

Justiça

Alexandre Morais é figura conhecida dos movimentos sociais paulistanos. Ex-secretário de Justiça do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, Morais é uma das figuras mais controversas do novo ministério.

Advogado Constitucionalista, o atual ministro da Justiça e Cidadania já foi advogado do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Eduardo Cunha. Ele é filiado ao PSDB desde 2005, e é considerado como uma indicação de Alckmin.

Ele declarou na última sexta, após a cerimônia de posse do ministro do STF, Gilmar Mendes, no TSE que “serão combatidos” dos movimentos de esquerda.

Morais é conhecido por sua truculência, principalmente com os movimentos sociais ou grupos de minorias. Durante sua gestão, em 2015, a PM de SP foi responsável pela morte de um em cada quatro pessoa assassinadas na capital paulistana. #Dentro da política