Michel Temer, que assumiu a presidência da República na quinta-feira (12), cumpriu a promessa de reduzir o número de Ministérios. Dos 32 do #Governo Dilma, restaram 23. Porém, com a necessidade de acomodar apoiadores e contentar partidos, Temer incluiu alguns nomes polêmicos, além de investigados e citados em delações premiadas na Operação Lava Jato.

As empresas investigadas doaram verbas para as campanhas de 12 dos atuais ministros. Todos afirmam que estas doações são legais e que foram declaradas à Justiça Eleitoral. No entanto, os investigadores suspeitam que as doações façam parte de pagamentos de propina em troca de vantagens.

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Para Claudio Lamachia, presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), investigados não deveriam ocupar cargos de ministro. Para ele, a nomeação destes políticos "contraria os anseios da sociedade". O cargo dá direito a foro privilegiado e Lamachia não descarta a possibilidade de que a OAB entre na Justiça para pedir a saída destes, no caso de se tornarem réus. Vale lembrar que este foi o argumento usado para o pedido de afastamento de Eduardo Cunha e Delcídio do Amaral.

Os nomes mais polêmicos da lista de Temer

Raul Jungmann (PPS), que já foi ministro de Fernando Henrique, assumiu o Ministério da Defesa. Em 2010, candidato ao Senado, Jungmann integrava a lista dos ficha-suja, acusado de desvio de finalidade de recursos quando era responsável pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.

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Blairo Maggi, que já foi considerado o maior produtor individual de soja no mundo, é o novo Ministro da Agricultura. Acusado de estar por trás do desmatamento da Amazônia, Maggi foi "premiado" pelo Greenpeace em 2005 com a "Motosserra de Ouro".

O procurador-geral da República Rodrigo Janot enviou ao STF dois pedidos de inquérito contra Henrique Eduardo Alves (PMDB), do Turismo. Alves teria recebido propina da empreiteira OAS, disfarçada de doação eleitoral. Ele deve ser incluído como investigado no inquérito principal da #Lava Jato, acusado de participar da organização criminosa que atuava na Petrobras.

O novo ministro chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB), que foi ministro de Lula, é também alvo da Lava Jato. Mensagens apreendidas nas investigações indicam que Geddel usou sua influência em favor da OAS. A grande habilidade política é o principal argumento do governo para a escolha de Geddel.

A nomeação mais polêmica é a de Romero Jucá (PMDB), do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, investigado pela Lava Jato.

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Citado na delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, é suspeito de ter se beneficiado de desvios de dinheiro em contratos da estatal. No depoimento à Polícia Federal, Paulo Roberto diz ter negociado com Jucá em troca de apoio para continuar no cargo. Executivos da Andrade Gutierrez e o senador Delcídio do Amaral também o acusam de recebimento de propina. Ele responde a dois inquéritos. Em um, está sob suspeita de fazer parte da organização criminosa que atuou na Petrobras. O outro é relativo à corrupção na Eletronuclear.

Em entrevista ao programa Fantástico da Rede Globo no último domingo (15), Temer disse que no caso de Jucá se tornar réu da Lava Jato, deverá reavaliar sua nomeação.

  #Michel Temer