A queda nas vendas do mercado brasileiro de automóveis se concentra, principalmente, nos segmentos de entrada. Populares e compactos foram os que mais sofreram com a retração e a solução da indústria, pelo menos a curto prazo, é inflacionar os preços, reposicionando seus produtos em um nicho mais aquecido e recompondo suas margens de lucro. As montadoras instaladas no país têm uma ‘expertise’ invejável, quando se trata deste tipo de estratégia, e a coisa acaba colando. É o que deve acontecer com o Sandero R. S., versão esportiva do hatchback da Renault, que chega nos revendedores em setembro por quase R$ 60 mil.

Por mais salgado que pareça este valor, o leitor não tem razão para espanto, afinal, nos últimos 12 meses, a versão básica do Sandero – Authentique 1.0 16V – saltou de R$ 29.890 para R$ 37.770.

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Curiosamente, no mesmo período em que o valor sugerido do modelo subiu de mais de 25%, suas vendas caíram 13,6% e como neste mundo não existe coincidência dá para imaginar que uma coisa acaba compensando, financeiramente, a outra.

O Sandero R. S. aposta no dinamismo e traz, sob o capô, o mesmo motor bicombustível 2.0 litros 16V do Duster, com 150 cv. O câmbio manual de seis marchas também foi emprestado do utilitário-esportivo (SUV) e, de acordo com dados fornecidos pela Renault, a nova versão acelera de 0 a 100 km/h em 8 s e atinge a velocidade máxima de 202 km/h. Com preço sugerido de R$ 58.880, seu único opcional são as rodas (de liga leve) aro 17 polegadas que calçam pneus 205/45, encarecendo a fatura em R$ 1.000.

A expectativa comercial da marca para o primeiro modelo da linha R. S.

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produzido fora da França é de 200 unidades mensais.

Além da mesma oferta de conteúdo da versão Stepway, até então a mais avançada da gama, o Sandero R. S. traz exclusividades como a direção com assistência eletroidráulica (no lugar do sistema hidráulico) e programa Sport, freios a disco na quatro rodas, suspensões recalibradas, controle eletrônico de estabilidade (ESP) com modo esportivo, assistente de partida em aclives (Hill Holder) e iluminação diurna com luzes diodo (LEDs).

Como o Sandero R. S. é uma exclusividade da Renault brasileira, não dá para compará-lo com seus irmãos e primos europeus. Mas dá para chegar perto disso: na França, onde o salário mínimo equivale a R$ 5.670 (lá são 35 horas de jornada semanal de trabalho, contra 44 aqui no Brasil), o Stepway Prestige TCe 90, praticamente idêntico ao nosso Sandero aventureiro, sai por 12.600 euros – ou R$ 49.025. Lá, um trabalhador precisa de menos de nove meses de salário para ter um desse na sua garagem.

Já aqui, onde a mesma versão parte de R$ 52.300 e chega a R$ 56 mil, o coitado terá que labutar por pelo menos 66 meses para adquirir o mesmo produto – isso, se a Renault mantiver sua tabela pelos próximos cinco anos. #Automobilismo #Inovação