O leitor deve estar com a pulga atrás da orelha, afinal, a nacionalização do A3 Sedan implicou em três importantes mudanças em relação ao modelo importado, duas delas para pior, mas a imprensa especializada vem advogando em favor da marca das quatro argolas e confundindo o consumidor. Então, vamos primeiro ao que melhorou: o motor turboalimentado (1.4 litro 16V) saltou de 122 cv para 150 cv, mas não foi apenas o sistema flexível, que permite uso de gasolina, álcool ou ambos misturados em qualquer proporção, que colaborou para isso.

A unidade TFSI Flex ganhou um novo cabeçote e variação contínua do tempo de abertura de válvulas, que antes era dedicada só para a admissão, agora também para o escape.

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O torque cresceu 25%, com ganhos na aceleração de 0 a 100 km/h, que baixou de 9,4 segundos para 8,8 s, e na velocidade máxima, que subiu de 212 km/h para 215 km/h. Na Europa, esta mesma versão do sedã desenvolve 140 cv e sua motorização conta com a tecnologia "cylinder on demand”, que desativa dois dos quatro cilindros em situações de baixa demanda de força.

As médias declaradas de consumo do modelo nacional, com uso exclusivo de gasolina, são de 11,7 km/l, em uso urbano, e 14,2 km/l, em uso rodoviário - a autonomia média declarada para o modelo europeu, de 140 cv, é de 19,6 km/l. 

Os preços não baixaram, como era de se esperar – afinal, o modelo deixou de pagar 35% de imposto de importação, fora o frete para atravessar o Oceano Atlântico. A versão de entrada, Attractive, parte de R$ 100 mil (importada, custava R$ 101.190) e a intermediária, Ambiente, de R$ 110 mil (redução de mesmos R$ 190).

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Em termos de conteúdo, o freio de estacionamento elétrico foi mantido – no Golf, ele foi abolido com a nacionalização – mas perdeu a função Auto Hold, que “segura” o carro nas subidas.

Se isso serve de consolo, a versão Ambiente ganhou novos opcionais, como o assistente de estacionamento que faz balizas sozinho, o comutador de facho dos faróis, o piloto automático adaptativo (ACC) e assistente ativo de faixa de rolamento (ALA), que age no volante quando detecta mudança involuntária de direção – o pacote que incluiu todos estes itens custa R$ 18.500, mas há outros. Completíssimo, o modelo chega a R$ 164.500.

Agora vamos ao que piorou: o câmbio pré-seletivo Stronic, com embreagem dupla e sete marchas, foi trocado pela transmissão automática Tiptronic de seis velocidades – o conjunto é fornecido pela Aisin, mesmo fabricante da transmissão automática usada pelo extinto Marea, da Fiat, e importada no México. Há que cante, em verso e prosa, que esta opção é melhor para as condições de rodagem brasileiras e por aí vai, mas o leitor deve entender que isso é mentira.

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Da mesma forma, a troca a suspensão traseira independente com subchassi pelo eixo de torção foi uma involução. Também aqui, há muito jornalista defendendo a Audi, dizendo que a troca visa dar mais robustez ao A3 Sedan “made in Brazil”, mas a engenharia é uma ciência exata e convém conferir o que o “especialista” que está advogando para Audi disse sobre a nova picape médio-compacta da Renault, a Duster Oroch, que traz suspensão traseira independente. É muito provável que ele se contradiga nos seus próprios textos.

Também vale lembrar que, mesmo importado, o A3 Sedan chegou ao país custando R$ 94.900. Agora, o leitor está bem informado e já pode decidir, sozinho, sobre sua compra. #Automobilismo #Inovação