O brasileiro é um sujeito ciumento, que não leva desaforo para casa e anda revoltado com os absurdos da classe política. Mas aceita tudo o que a indústria automotiva lhe empurra goela abaixo e ainda paga caro por isso. Nacionalizado, o novo Volkswagen Golf é uma prova disso: a marca acaba de apresentar a gama 2016 e na sua versão de entrada, Comfortline, o modelo trocou o motor turboalimentado (TSI, 1.4 litro, 16V) de 140 cv pelo propulsor flexível 1.6 litro, 16V, de 120 cv; trocou o câmbio pré-seletivo DSG com embreagem dupla e sete marchas pela transmissão automática de seis velocidades; e a suspensão traseira independente pelo eixo de torção.

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Piorou, tecnicamente, mas encareceu nada menos que R$ 5.440 e, agora, parte de R$ 74.950, equipado com câmbio manual de cinco marchas – no modelo importado, eram seis marchas.

Se isso serve de consolo, todas as versões do Golf trazem sete bolsas infláveis como itens de série e a Highline, que custa a partir de R$ 92.290 (contra R$ 75.830 do modelo que vinha do México) e manteve a unidade 1.4 TSI; ganha sistema bicombustível Total Flex e vai a 150 cv. São 10 cv, mas ela também trocou o sistema DSG pela transmissão automática.

Já o modelo GTI, que segue com a motorização turboalimentada (2.0 litros, 16V) de 220 cv e o câmbio DSG de seis marchas, foi o que menos mudou, mas seu preços agora partem de R$ 117.690, aumento de R$ 15.010.

Como é possível notar, o mito de que a nacionalização de um automóvel significa redução de preços é uma das maiores balelas do mundo.

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Na prática, as montadoras se beneficiam da menor carga tributária, empobrecem seus produtos e aumentam suas margens de lucro.

Para quem gosta de conectividade, a gama agora conta com as centrais multimídia Composition e Discover Media, além da Discover Media Pro, que permitem o espelhamento da tela de smartphones através dos aplicativos MirrorLink, CarPlay e Android Auto. O navegador por satélite (GPS) embarcado só está disponível a partir do Discover Media, enquanto o Pro traz tela maior, de 8 polegadas, leitor de DVDs e memória interna de 60 GB.

Como dá para imaginar, a adoção do propulsor flexível 1.6 litro 16V deixou o Golf mais lento. De acordo com números da própria VW, a versão Comfortline, equipada com transmissão automática (que parte de R$ 80 mil) acelera de 0 a 100 km/h em 11,6 s – contra 8,4 s do 1.4 TSI, que era importado. E alcança a velocidade máxima de 184 km/h – contra 212 km/h. Até mesmo a versão Highline, que ficou 10 cv mais potente, perdeu performance com a troca do câmbio DSG pela transmissão automática.

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Seu dados são: 0 a 100 km/h em 8,6s e máxima de 204 km/h.

Como se transformou na "marca da mentira", depois do escândalo da fraude das emissões, a VW aproveita para, novamente, dar uma de Pinóquio e alardeia que o novo Golf é o primeiro modelo de produção nacional em que todas as versões trazem controles eletrônicos de tração e estabilidade (ESP). Mas isso não é verdade, já que o antigo Classe A, produzido pela Mercedes-Benz em Juiz de Fora, entre 1999 e 2005, é que teve esta primazia. #Automobilismo #Inovação