O Salão do Automóvel de Genebra (Geneva International Motor Show) deste ano abre suas portas para o público na próxima quarta-feira, dia 3, trazendo uma nova questão para fabricantes e expositores: com custos cada vez mais altos, algumas marcas vêm declinando de participar das mais importantes mostras do setor em nível mundial. A Mini, por exemplo, não esteve no Salão de Detroit, em janeiro, e também não se faz presente, na Suíça. Ford e Volvo não terão estandes no Salão de Paris, em outubro, e a Mazda também deve se ausentar. Já o público vem se fazendo outra pergunta: afinal de contas, vale a pena mover mundos e fundos para acompanhar estreias mundiais que, há dias, já circulam pela internet?

Para o presidente-executivo (CEO) da Seat, subsidiária espanhola do Grupo Volkswagen, Luca de Meo, muito do fator surpresa dos salões se perdeu na era digital.

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“No passado, as pessoas queriam fazer parte daquele momento único, que era a apresentação mundial de um veículo. Quando um novo modelo era revelado em primeiríssima mão, os visitantes tinham a sensação de estarem fazendo parte da história. Mas isso mudou muito, afinal, tudo que está sendo mostrado nos estandes, hoje, já foi visto na web há semanas”, avalia Meo. “É como se o ineditismo tivesse sido perdido”.

De acordo com ele, há uma clara luta entre o real e o virtual neste sentido. “Os salões do automóvel ainda são importantes para o contato direto entre as montadoras e os consumidores, mas este contato só se estreita se temos, realmente, um lançamento para mostrar aos visitantes”, avalia o executivo. “Nós estamos avaliando, seriamente, o que está acontecendo nessas mostras, porque já percebemos que, quando uma marca tem algo novo, o público vem ao seu estande.

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E quando não tem, as pessoas apenas passam por ele”.

A verdade é que, para a maioria das montadoras, o retorno do investimento para participar de um salão é nulo. “Fabricantes e organizadores das maiores mostras do mundo estão estudando uma forma de reduzir os custos para as marcas, mas a verdade é que gastamos o mesmo valor para estar ali, tendo ou não um grande lançamento”, pontua Meo.

E por falar em lançamentos, entre a constelação que surge em Genebra, três utilitários-esportivos (SUVs) mostram que este segmento segue como a bola da vez. Os SUVs e crossovers são os modelos que mais vêm ganhando mercado, na Europa, e enquanto a Maserati mira um nicho de alto prestígio – e rentabilidade – com o gigante Levante, a Audi foca o público jovem com o pequenino Q2. A própria Seat apresenta o novo Ateca ao lado de um modelo conceitual da Skoda para sete ocupantes. A Toyota também revela o protótipo que dará vida ao seu anti-HR-V, o CH-R, que parece embaralhar as letras para chegar o mais próximo possível da arquirrival.

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De acordo com dados da JATO Dynamics, as vendas de utilitários-esportivos subiram 22% no Velho Continente, só no ano passado, alcançando o volume de 3,05 milhões de unidades – em nível mundial, o segmento comemorou alta de 8,1%, em 2015, chegando à casa de 13,7 milhões de unidades. Em 2013, os SUVs e crossovers tinham uma participação de 17%, no mercado europeu, fatia que subiu para 20%, em 2014, e para 22%, no ano passado. #Negócios #Automobilismo #Inovação