Os utilitários-esportivos (SUVs) são o único segmento sobrevivente à crise que, praticamente, liquidou o mercado brasileiro. Enquanto as vendas nacionais despencaram mais de 43%, nos últimos três anos, os emplacamentos de SUVs cresceram quase 13% no mesmo período. É por isso que as montadoras vêm promovendo uma verdadeira “corrida do ouro” neste nicho e com a Renault não é diferente. Em 2013, a marca francesa tinha uma participação de 14% com o Duster, fatia que foi reduzida a menos de 8%, neste primeiro quadrimestre.

A chegada de novos competidores, mais qualificados e prestigiados, engrossou o jogo nesta categoria, mas a Renault prepara seu contra-ataque com o Kaptur, um utilitário-esportivo mais capacitado para fazer frente a Honda HR-V e Jeep Cherokee, que são os líderes da classe, bem como ao Nissan Kicks, que estreia em agosto, e ao ix25, versão tropicalizada do Hyundai Creta, que também chega para a disputa ainda neste ano.

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Antes de mais nada, é preciso explicar que o Kaptur que será apresentado em novembro, durante o Salão Internacional do Automóvel, não tem nada a ver com o Captur vendido nos mais ricos mercados europeus. Enquanto o primeiro é feito sobre a mesma base do Duster, o segundo usa a mesma plataforma da quarta geração do Clio. O Kaptur foi concebido para mercados emergentes e é feito na Rússia, enquanto o Captur foi desenvolvido para consumidores mais exigentes e é feito na Espanha.

A opção da subsidiária brasileira pelo Kaptur é, portanto, óbvia. Primeiro, porque sua montagem na fábrica paranaense de São José dos Pinhais é a mais viável e, segundo, porque é um veículo com custo de produção mais baixo e que permitirá maiores margens de lucro para a Renault. Com 4,33 metros de comprimento, o novo SUV é apenas 1 cm maior que o Duster.

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Ambos têm a mesma distância entre-eixos, 2,67 m, mas o Kaptur é 1 cm mais estreito e 7 cm mais baixo. O lançamento também leva desvantagem no porta-malas, com uma capacidade volumétrica de 387 litros, contra 475 l do Duster.

Na Rússia, onde o novo utilitário-esportivo já foi lançado, ele oferece trens de força semelhantes ao do primo. Lá, o Kaptur oferece três motorizações, uma a gasolina (TCe, de 130 cv) e duas turbodiesel (dCi, de 110 cv e 130 cv), que podem ser combinados a um câmbio manual de seis marchas ou às transmissões automáticas de seis velocidades ou de variação contínua (CVT). Por aqui, as unidades bicombustíveis 1.6 litro 16V, de 115 cv, e 2.0 litros 16V, de 148 cv, devem equipar a versão nacional, combinadas aos câmbios manuais de cinco e seis marchas, na ordem, bem como a uma nova opção automática que substituirá o ultrapassado conjunto de quatro velocidades, usado atualmente pelo Duster.

Com um apelo nitidamente mais urbano, o Kaptur europeu tem 20,4 cm de distância livre do solo, mas o modelo pode abdicar da tração integral permanente, no Brasil, até porque ele mira um consumidor que prefere estilo à valentia e será posicionado em uma faixa de preços mais alta, partindo de R$ 80 mil.

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Já em termos de acabamento e conteúdo, é elementar que o lançamento trará avanços em relação ao Duster, mas nada que faça dele uma referência. Agora, é esperar para ver! #Automobilismo #Inovação