Ninguém imaginava isso há três anos, mas o dia mais comemorado da indústria automotiva brasileira era, na verdade, a véspera da sua maior crise. Os números divulgados hoje, pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), mostram que as vendas de carros de passeio e comerciais leves continuam em baixa. Os emplacamentos de abril caíram 9%, em relação a março, e 25,5%, em relação ao mesmo mês do ano passado. Pior, a retração chegou a 27,6%, neste primeiro quadrimestre. Mas é na comparação com o mesmo intervalo de 2013 que se tem uma ideia do tamanho do problema: perda de assustadores 43,6%. “O setor tem um desempenho muito abaixo da previsão que tínhamos, para este ano”, resume o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr.

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No segmento de pesados, que engloba caminhões e ônibus, o resultado não é diferente: queda de 35,2% nos primeiros quatro meses deste ano, em relação a 2015. Já no segmento de duas rodas, que reúne motos e ciclomotores, vem sofrendo menos com a retração, mas também contabiliza perdas no período, de 12,7%. “Não há dúvidas de que a crise política está potencializando a #Crise econômica”, avalia Assumpção Jr.

Na disputa das marcas, há quem tenha o comemorar, mesmo em um cenário tão negativo. É o caso da General Motors, que tem participação de 16,3% e segue abrindo vantagem na liderança nacional. Hyundai, com uma fatia de 10%, e Toyota, com uma fatia de 8,9%, também se firmaram em quarto e quinto lugares na tabela do setor. A ex-líder Fiat, que tinha uma participação de nada menos que 22,4%, em 2013, se estabiliza na vice-liderança com 15,1%, enquanto a Ford, em sexto com 8,4%, continua perdendo terreno.

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Se isso serve de consolo para a marca italiana, somado seu volume com o da Jeep e os das outras marcas que compõem a Fiat Chrysler Automobiles (FCA), o grupo lidera o ranking brasileiro com uma fatia de mais de 18%

Na briga dos modelos mais vendidos do país, o Chevrolet Onix segue cada vez mais líder, enquanto o Palio perde mais uma posição, desta vez para o Ford Ka, que assume o terceiro posto, atrás do HB20, da Hyundai. O mais recente lançamento, entre os populares, o Fiat Mobi, parece ter um futuro promissor. Em poucos dias, ele praticamente igualou o desempenho comercial do March, da Nissan. Entre os utilitários-esportivos (SUVs), que é o único segmento em alta no mercado nacional, o Honda HR-V se impõe diante do Jeep Renegade. Já entre as picapes, a dobradinha da Fiat com Strada e Toro domina os licenciamentos entre os modelos leves e médios.

Por falar na Toro, vale citar que a caminhonete fechou o mês de abril com quase 31% de participação em seu nicho. Situação inversa vive o Gol, ex-líder nacional durante mais de duas décadas que, hoje, amarga a nona posição da tabela. #Automobilismo