Os sedãs médios foram, durante décadas, o sonho de consumo dos brasileiros. Nos últimos anos, eles perderam este status para os utilitários esportivos (SUVs), mas o segmento ainda segue prestigiado. O que não vai bem são as vendas, que encolheram 22,7% neste primeiro quadrimestre, em relação ao mesmo período de 2015 – nos últimos três anos, a retração chega a mais de 32%. É neste cenário, que a Nissan apresenta a versão 2017 do Sentra, que chega até R$ 10 mil mais cara, contrariando a “Lei da oferta e da procura”. Segundo essa máxima da Economia, quando a demanda por um produto cai, como ocorre com o sedã, cujas vendas registram queda de 29,6% só nos primeiros quatro meses deste ano, seu preço também tende a cair.

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Mas existe outra máxima, da sabedoria popular, que diz que “enquanto houver cavalo, São Jorge não andará a pé”.

Pelo visto, é na cultura popular que a Nissan acredita. Afinal, a marca aplica um reajuste no seu modelo que fica acima não só os índices de inflação como, também, ultrapassa o limite do bom senso. A partir de agora, até a versão de entrada, S (a partir de R$ 79.990), sai de fábrica equipada com a transmissão automática de variação contínua (CVT). Da mesma forma, a reestilização aplicada no modelo norte-americano, há quase um ano, dá um ar menos senhoril para o Sentra. Mas a impressão é de que a marca está fazendo o consumidor brasileiro de otário – talvez, pelo fato de ele representar este papel, sempre, com maestria.

Hoje, ocupamos a terceira posição comercial dentro do segmento e é isso que queremos manter”, disse a gerente de marketing da Nissan brasileira, Juliana Fukuda, durante a apresentação oficial do modelo.

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Nossa expectativa é que a concorrência aumente seus preços – com a chegada das novas gerações do Chevrolet Cruze e do Honda Civic – e, com o início da nossa campanha publicitária na TV, o fluxo nos revendedores já aumentou”, afirmou a executiva. Em outras palavras, o brasileiro já está fazendo seu papel predileto.

O motor bicombustível 2.0 litros 16V, de 140 cv, é o mesmo e as luzes diodo (LEDs) funcionais, adotadas com a reestilização, já não impressionam – até o moribundo Citroën C3 as traz. Em termos de segurança, a adoção do controle eletrônico de estabilidade (VDC) para todas as versões também não soa como mais do que uma obrigação – o Fiat 500, por exemplo, o oferece desde seu lançamento nacional – e, em termos de conteúdo, chave presencial com partida por botão, volante multifuncional, sensores crepuscular e de estacionamento (apenas traseiro), além de rodas de liga leve, que passam a ser itens de série para toda a gama, não trazem absolutamente nada de novo e até seu Alerta de Colisão Frontal (FCW) é, como o próprio nome diz, apenas um aviso – ele não aciona os freios, automaticamente.

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O “novo” Sentra 2017 não oferece central multimídia com espelhamento para smartphones nem nas versões mais caras, SV (a partir de R$ 84.990) e SL (a partir de R$ 95.990). E olhe que essa tecnologia está disponível até para o compacto March!

O que está claro é que, de forma velada, vamos retomando o posto de mercado subdesenvolvido, onde automóveis ofertados como populares nos Estados Unidos e Europa ganham ar de sofisticação e preços absurdos por aqui, travestidos de verdadeiros portentos pelos seus fabricantes. Certamente, porque a ignorância do consumidor brasileiro o faz merecer não apenas isto, mas coisas bem piores! #Automobilismo #Inovação