Você compraria um modelo reprovado nas avaliações do principal programa independente de segurança automotiva, em nível mundial?

Bom, nem uma semana depois de a subsidiária brasileira da Renault confirmar o lançamento nacional do Kwid, o subcompacto indiano tomou bomba nos ‘crash tests’ do Global NCAP. O programa classificou os níveis de proteção para motorista e passageiro da frente como “pobre” e “mínimo”. É com estas chancelas que o lançamento chega ao país, em novembro, negativado no teste de colisão frontal – em que o veículo atinge uma barreira fixa a 64 km/h - e sem conseguir uma única estrela em cinco possíveis. Sua estrutura também foi avaliada como “instável” e, diante do mico, o fabricante corre para reverter o quadro de suspeição, apoiado por advogados da imprensa especializada.

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Sempre prontas para assumirem a defesa da indústria automotiva, algumas publicações colocam panos quentes no fato e adiantam que o subcompacto nacionalizado trará reforços estruturais, além de freios ABS e bolsas infláveis frontais, que são obrigatórias no mercado nacional – a unidade testada pelo Global NCAP era equipada apenas com o airbag do condutor. A primeira argumentação dá conta de que o Kwid “made in Brazil” terá um aumento de peso da ordem de 20%, só em função destes reforços.

De acordo com um dos sites que advogam em favor da Renault, o peso do subcompacto saltaria dos “650 quilos da versão indiana para quase 800 quilos, na brasileira”. Bom, deve haver algo de errado com a balança usada nesta conta, afinal, o Kwid testado pelo Global NCAP pesava 914 kg e se somarmos mais 180 kg em sua massa, ele ficaria 70 kg mais pesado que o Sandero.

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Na avaliação do programa, a região do tórax de motorista e passageiro da frente podem ter graves lesões, em caso de acidente, sendo que o carona também pode sofrer ferimentos nas pernas, decorrentes de seu choque com “estruturas perigosas” do console. A fixação para cadeirinha de crianças também teve avaliação crítica, mas, apesar de todos esses “indícios”, a Renault anuncia que o Kwid brasileiro será o primeiro modelo de sua classe equipado com airbags laterais como itens de série, desde a sua versão de entrada – hoje, o único modelo da marca a trazê-los é o Fluence, que não sai por menos de R$ 84.780.

Bom, o que dá para afirmar, com certeza, é que o Kwid passa a ser visto com desconfiança por uma parcela – a menos manipulável – dos consumidores e que a Renault terá trabalho para provar, em novas avaliações, que seu subcompacto é um veículo tão seguro quanto Fiat Mobi e Volkswagen Up!. Outra certeza é que o consumidor indiano não inspira tantos cuidados quanto o brasileiro. Já outra desconfiança é que o consumidor brasileiro pode não inspirar tantos cuidados quanto o europeu. Na dúvida, fuja do Kwid! #Automobilismo #Inovação