"Corridas só terminam na bandeirada", gostam de dizer os pilotos mais experientes. Pois a máxima vale mesmo para uma maratona de 24 horas de velocidade e 5.230 quilômetros percorridos. Os japoneses da Toyota perseguiam a vitória nas 24h de Le Mans de forma obsessiva e já se preparavam para comemorar o feito quando, a meros três minutos do fim, o carro de número 5, dividido por Kazuki Nakajima, Anthony Davidson e Sebastien Buemi parou em plena reta dos boxes, sem potência. Caminho aberto para a Porsche 919 Hybrid de Romain Dumas, Marc Lieb e Neel Jani, no que foi o 18º triunfo da casa alemã na prova.

O Toyota TS050 havia sido perfeito durante a maior parte do desafio, conseguindo percorrer distância maior que a dos adversários com a mesma quantidade de combustível e mostrando a eficiência dos sistemas de propulsão híbrida que, somados ao motor a combustão, garantem potência que chega aos 1.000cv.

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Por boa parte as 24h, os carros japoneses e alemães se alternaram na ponta, mas ficava claro que apenas uma avaria mecânica impediria a inédita festa nipônica - a Audi, outra montadora com um time oficial na principal categoria de protótipos, a LMP1, fazia figuração para o duelo das rivais.

Sem nenhum alerta prévio, e para desespero de engenheiros, técnicos e pilotos, o que parecia questão de poucos minutos se transformou num amargo abandono, abrindo caminho para quem já se contentava com o segundo degrau do pódio. Com isso, o outro Toyota (o 6, comandado por Kamui Kobayashi, Mike Conway e Stéphane Sarrazin, que perdeu mais tempo nos boxes) acabou herdando uma segunda posição com gosto de derrota - pela quinta vez a Toyota bateu na trave.

As outras atrações da 84ª edição da prova foram a vitória da Ford na categoria GTE Pro e o sucesso da iniciativa do francês Frederic Sausset, primeiro quadriamputado a correr em Le Mans.

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A casa norte-americana estava de volta ao evento 50 anos depois de sua primeira vitória e, como na ocasião, ao fim de um duelo com a Ferrari, levou a melhor com Joey Hand, Dirk Muller e Sebastien Bourdais - para os rivais, o Ford GT foi ajudado pelo regulamento, que limitou o desempenho de Ferrari, Corvette, Porsche e Aston Martin.

Sausset, por sua vez, conseguiu receber a bandeirada com um protótipo Morgan-Nissan totalmente adaptado para suas condições - perdeu braços e pernas em consequência de uma infecção generalizada. O trio composto ainda por Christophe Tinseau e Frederic Bouvet estava inscrito na categoria Garage 56, para projetos inovadores ou de relevância tecnológica e social. O francês contou com a ajuda de um engenhoso sistema de cordas que o retiravam do carro com seu assento para que os demais pilotos pudessem completar os demais trechos, e com os comandos de acelerador e freio no volante.

Entre os seis brasileiros inscritos, Lucas di Grassi foi o destaque, ficando com a terceira posição geral a bordo do Audi R18 dividido com Oliver Jarvis e Löic Duval. #Automobilismo