Quando anunciou a construção de sua fábrica brasileira, em dezembro de 2013, a Jaguar Land Rover (JLR) comemorava seu recorde comercial no país, com 10.941 unidades. De lá para cá, muita água passou por debaixo da ponte, o mercado nacional mergulhou em uma profunda #Crise, mas o grupo cumpriu o prometido: investiu o equivalente a R$ 750 milhões e inaugurou sua unidade fabril em Itatiaia, no interior fluminense, ocupando uma área de 60 mil metros quadrados e gerando, por enquanto, 300 empregos diretos. O problema é que, hoje, o grupo tem uma participação mínima nas vendas nacionais, com uma fatia de reles 0,4%, e uma curva comercial descendente – só nos últimos três anos, as perdas chegam a 28,5%.

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Neste cenário, o que fazer com uma fábrica que tem capacidade para produzir 24 mil veículos por ano?

Fizemos um investimento a longo prazo”, afirma o presidente da subsidiária latino-americana da JLR, Frank Wittemann. O executivo não acredita em uma melhora imediata do setor e prevê que os volumes só voltaram a subir em dois ou três anos. “O segmento ‘premium’, em que nos inserimos, vem sendo menos afetado pela recessão e, nos principais mercados mundiais, este nicho responde por 10% das vendas”, acrescentou. Wittemann aposta que isso acontecerá por aqui, em algum momento, mas este futuro parece distante.

Até dezembro, a JLR pretende produzir 10 mil unidades em Itatiaia, mas a julgar pelo volume comercial de suas marcas nos cinco primeiros meses deste ano, que ficou pouco acima de 3.000 unidades, este número dificilmente será alcançado, principalmente porque os modelos feitos no Brasil se destinam, neste primeiro momento, exclusivamente ao mercado interno.

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Até agora, não há planos para exportarmos”, afirmou o diretor global de manufatura, Wolfang Stadler, garantindo que o grupo não está arrependido de embarcar em uma canoa, aparentemente, furada. “Não estamos preocupados com a crise econômica brasileira e, prova disso, é que estamos confiando no país”.

Os executivos da JLR podem ser visionários, mas não parecem bons de matemática, afinal, enquanto o mercado nacional contabiliza queda de 26%, em relação aos cinco primeiros meses do ano passado, marcas de prestígio com Audi, BMW e Mercedes-Benz apuram perdas de mais de 30%. A própria Land Rover viu seus emplacamentos caírem 8%, no período. Na inauguração, a direção nacional do grupo não divulgou projeções e nem os índices de nacionalização dos dois modelos produzidos em Itatiaia, que são o Range Rover Evoque e o Discovery Sport.

Já quem aguardou, ansiosamente, pela nacionalização de ambos não terá o que comemorar, afinal, apesar de uma grande redução da carga tributária (só o Imposto de Importação, que deixa de ser pago, tinha alíquota de 35%) em função da nacionalização da dupla, não haverá redução de preços e os brasileiros continuarão pagando os mesmos valores das versões importadas.

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O Evoque “made in Brazil”, por exemplo, parte de R$ 224 mil e o que fica claro é que o trouxa, ou melhor, o consumidor brasileiro é quem vai cobrir o buraco com a queda nas vendas e amortizar o que foi gasto na construção da nova fábrica. Como sempre, diga-se de passagem...

  #Automobilismo #Inovação