Foi-se o tempo em que o mistério era a alma do negócio entre as montadoras de automóveis no Brasil. Os detalhes sobre um novo modelo eram escassos, especialmente antes do advento das redes sociais, e o momento, de finalmente exibir publicamente a novidade, era cercado de expectativa e solenidade. A concorrência acirrada e a necessidade de aguçar o interesse do consumidor em tempos bicudos proporcionaram a mudança.

E um bom exemplo é o da Renault, com seu subcompacto Kwid, lançado, inicialmente, na Índia e com chegada prevista para o começo do segundo semestre. Tudo bem que não faltam imagens do modelo rodando lá fora - as diferenças entre o indiano e o brasileiro não serão tão visíveis num primeiro momento - mas a própria marca francesa resolveu criar um clima de ansiedade.

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Primeiro, com lacônicas duas linhas distribuídas à imprensa, confirmou que ele seria montado na unidade de São José dos Pinhais, na grande Curitiba. Agora, resolveu pôr mais uma pitada de ousadia.

A casa do losango pôs no ar um hotsite do Kwid, que pode ser acessado pelo http://kwid.renault.com.br. Que o leitor não espere muitas revelações, no entanto. Há apenas um detalhe da dianteira e a promessa de que nada será como antes (aliás, um "recado" do modelo para ruas). E um formulário de cadastro para os interessados em obter maiores informações do pequeno. Um pouco mais alto do que os futuros rivais no segmento dos subcompactos (Fiat Mobi, Volkswagen !up e o chinês Chery QQ), o Kwid tem uma leve aparência de SUV e, como é o caso quando falamos de modelos de entrada, simplicidade e despojamento são as ordens do dia, além de um acabamento básico, sem qualquer luxo.

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A motorização inicial será um 1.000cc três cilindros de 77cv já usado pela Nissan em seu March - para o ano que vem é esperado um tricilíndrico ainda menor, com 800cc e 62cv.

O grande desafio da fábrica francesa, no entanto, será reverter a péssima imagem deixada pelo modelo nos testes de impacto do Instituto Global NCAP. Mesmo com airbag para o motorista (no Brasil a legislação exige o dispositivo também para o passageiro que vai à frente), ele ficou com nota zero (em cinco) no quesito proteção para adultos. A região dianteira da carroceria sofreu deformação excessiva, o que, num acidente real, seria sinônimo de problemas na região torácica para quem vai na primeira fileira de assentos. Tanto na Índia quanto aqui, o discurso é de que o modelo receberá os devidos reforços e ajustes para não deixar os ocupantes em risco acima do aceitável. #Automobilismo #Internet