O mercado de automóveis usados amargou seu terceiro mês seguido de queda, em maio. Apesar de as transferências de carros de passeio e comerciais leves terem crescido 6,9%, em relação a abril, os números do mais recente balanço da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) mostram retração de 1,2%, sobre o mesmo período do ano passado. Pior, as perdas acumuladas neste ano chegam a 4,2%, em relação a 2015. Neste cenário, só os “seminovos”, com no máximo três anos de uso, ficaram fora do vermelho. As vendas deste nicho cresceram 24,1%, mas os usados mais rodados vêm puxando a estatística para baixo: "jovens", com quatro a oito anos de uso (-9,6%); “maduros”, com nove a 12 anos (-12,7%), e “velhinhos”, com 13 anos ou mais (-17,1%), todos encolheram bastante.

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O consumidor vem se mostrando cauteloso, na hora de assumir o financiamento de um veículo usado”, disse o presidente da Fenauto, Ilídio dos Santos. Ele acredita que essa postura de precaução deve continuar pautando os negócios, neste segmento, pelo menos enquanto a economia brasileira não der sinais de recuperação. “Desde meados ano passado, sentimos uma retração que se acentuou a partir de novembro. Apesar do bom resultado no mês passado, sobre abril, ainda é cedo para falarmos em recuperação”.

Diante desses números, o leitor deve estar se perguntando: esta é uma boa hora para comprar um automóvel seminovo?

A resposta é não!

A queda nas vendas de zero quilômetros impacta diretamente nos seminovos e, a partir do ano que vem, a oferta de modelos com até três anos de uso terá uma redução proporcional ao encolhimento do mercado, desde 2014.

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O sintoma mais evidente disso será a elevação de preços dos seminovos, a partir do último trimestre deste ano. Como o leitor deve saber, a compra de um automóvel – novo ou usado – é um dos piores “investimentos” que existem, com garantia de perda imediata de 15% a 20% do valor aplicado.

Apesar de os seminovos terem, em tese, quilometragem mais baixa, sua revenda está, na maioria dos casos, relacionada ao fim do prazo de garantia. Sem a cobertura de fábrica, o segundo dono acaba levando para casa um veículo que tem custo de manutenção alto e seu gasto, só na primeira visita ao concessionário, pode ultrapassar os R$ 10 mil– caso da revisão dos 40.000 quilômetros do Hyundai i30.

Quem está endividado não pode nem cogitar a compra de um automóvel, hoje. Quem está com as finanças em equilíbrio deve ter muita cautela, para não se endividar, e até mesmo quem tem dinheiro guardado deve se questionar se há, mesmo, necessidade de trocar de carro”, aconselha o educador financeiro Reinaldo Domingos.

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Para estes últimos, a recomendação é comprar à vista. E nunca é demais lembrar que ainda há gastos com licenciamento e seguro, entre outras despesas”.

Para quem ainda não se deu por convencido, vão aí outros dados importantes para endossar sua decisão: os financiamentos de carros de passeio e comerciais leves caíram mais de 31%, nos primeiros cinco meses deste ano, enquanto as vendas de consórcios recuaram 14%, só no primeiro quadrimestre. Esses são dados claríssimos da #Crise entre os zero quilômetros que, inevitavelmente, vai respingar nos usados. #Automobilismo #Blasting News Brasil