A BMW acaba de dar mais um passo em direção à “MINImalização” de parte de seu portfólio. Depois do X1 adotar a mesma plataforma (UKL2) dos Série 2 Active Tourer e Mini Cooper, trocando a tração traseira pela dianteira e as motorizações de quatro pelas de três cilindros, chega a vez do Série 1 fazer o mesmo. E a primeira variante do modelo a adotar a nova base é a inédita Sedan, apresentada, nesta semana, na China. O modelo, que corresponde à versão de produção do carro-conceito Compact Sedan, revelado em novembro do ano passado, durante o Salão do Automóvel de Guangzhou, será seguido pelo hatchback em breve. Para os brasileiros, a boa notícia é que o Série 1 Sedan pode ser nacionalizado nos próximos anos.

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O Série 1 Sedan tem 4,52 metros de comprimento – é 7 cm maior que o A3 Sedan, da Audi – e 1,72 m de largura – também 7 cm, só que mais estreito. Para entender os planos da BMW para o futuro é preciso considerar que, junto com as mudanças, a marca bávara vem realinhando de sua gama, empurrando o Série 3 para um posto mais alto e mais caro, ao mesmo tempo em que abre espaço na base da pirâmide para modelos de produção mais simples e barata. O objetivo desta estratégia é aumentar a rentabilidade dos negócios do grupo, ao mesmo tempo em que “democratiza” sua linha.

'Downgrade'

Na verdade, essa democratização nada mais é do que um “downgrade”, em que a marca bávara desce um degrau para fazer veículos com as mesmas características de um Honda Civic ou Toyota Corolla, só que aproveitando de seu prestígio para cobrar mais caro por eles – suas arquirrivais Audi e Mercedes-Benz também adotam a mesma estratégia, cada qual com suas particularidades.

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Para o leitor que ainda não enxergou isso, basta comparar o novo Chevrolet Cruze com o CLA, da Mercedes-Benz: tecnicamente, as diferenças entre eles são mínimas e prova disso é que seus preços nunca foram tão próximos.

O próximo mercado a nacionalizar o Série 1 Sedan pode ser o Brasil, onde a Audi já vem obtendo bons resultados com seu A3 Sedan. Hoje, a fábrica catarinense de Araquari produz os Séries 1 (hatchback) e 3, além dos X1 e X3, mas a BMW já confirmou que a próxima geração do Série 3, prevista para 2018, será feita na nova planta mexicana de San Luis Potosí, a partir de 2019. A montadora já recebeu US$ 236 milhões (o equivalente a mais de R$ 675 milhões) em incentivos, incluindo uma isenção tributária total de dez anos, se comprometendo a gerar 1.500 empregos diretos e investir US$ 1 bilhão (R$ 3,25 bilhões) na unidade, até 2024.

Dois modelos serão feitos, no México, e o Série 3 está confirmado. A nova fábrica da BMW terá capacidade de produção de 150 mil unidades anuais, só do sedã, e o mais provável, é que a próxima geração do X3 seja o segundo modelo. Com isso, é mais do que óbvio que o Brasil ficaria com os veículos de entrada do grupo, os “MINImalizados”, ajustando a oferta local à queda na demanda e ao empobrecimento do mercado nacional. #Automobilismo #Inovação