Duas novidades da indústria automotiva brasileira, que já tinham sido antecipadas, tiveram seus preços revelados nesta semana. O inédito Nissan Kicks chega em uma única versão, SL, topo de linha, a partir de R$ 90 mil. Já a nova geração do Civic, da Honda, traz quatro opções com valores entre salgados R$ 87.900 e estratosféricos R$ 124.900. Ambos são exemplos da inflação descontrolada que atinge este mercado, mostrando mais uma vez que, para as montadoras, o cliente fiel – aquele que segue sacrificando a própria vida e a da família para ter um zero-quilômetro na garagem – é quem paga o pato da queda nas vendas.

Nos Estados Unidos, o mesmo Civic que acaba de ser apresentado no Brasil – o mesmo, não, já que o de lá vem mais equipado – custa menos de R$ 87 mil, quase R$ 38 mil mais barato que o modelo “made in Brazil”.

Publicidade
Publicidade

Já o Kicks só começa a ser vendido nos EUA no ano que vem, mas, lá, seu preço partirá de menos de US$ 21 mil – o equivalente a menos de R$ 68 mil e, portanto, R$ 20 mil mais em conta. Nunca é demais lembrar que o poder de compra dos norte-americanos é, no mínimo, 3,1 vezes maior que o dos brasileiros, o que, multiplicado pela diferença de valores do crossover nos dois países, dá uma margem absurda de quatro vezes.

“Novo” Ford Edge

Ou seja, na prática, os brasileiros – só os ineptos, é verdade – vão pagar 4,1 vezes mais por um Kicks do que os norte-americanos. Mas o leitor não deve se assustar, porque na Índia, onde o Nissan começa a ser vendido ainda neste ano, o preço do modelo topo de linha já foi confirmado em 1,5 milhão de rúpias – o equivalente a R$ 73.255, quase R$ 17 mil mais barato do que no mercado brasileiro.

Publicidade

E o que é pior, no mercado indiano, a versão de entrada do modelo sairá por R$ 39.140, menos da metade do preço daqui.

Mas o movimento na cocheira de São Jorge não para por aí e, como diz o ditado, “enquanto houver cavalo, o santo não anda a pé”. A máxima, que pode ser traduzida para “enquanto o brasileiro aceitar a extorsão das montadoras, os preços não vão baixar”, também vale para o “novo” Edge, da Ford. A segunda geração do modelo, que foi lançada nos Estados Unidos há dois anos, só é nova, mesmo, por aqui, onde desembarca por até R$ 240 mil – quase R$ 110 mil mais cara que sua antecessora!

Como o brasileiro engole de tudo e ainda bufa de alegria, a Ford não se deu nem ao trabalho de trocar a antiga – e beberrona – motorização V6 de 284 cv pela nova unidade EcoBoost, dotada de turbocompressor e injeção direta, de 319 cv. E assim vamos... #Automobilismo #Inovação