Um dia depois de apresentar a segunda geração do Cruze, no Brasil, a General Motors anunciou um reposicionamento de mercado para seu sedã médio-compacto, o Cobalt, e a notícia não foi nada boa. Com o aumento do preço inicial do irmão maior, que agora parte de R$ 89.990, o Cobalt subiu para inacreditáveis R$ 60.890. Isso na versão de entrada, LT, que abandona a motorização flexível 1.4 litro e, agora, só será ofertada com o propulsor 1.8 litro de 108 cv – na verdade, a unidade de menor deslocamento e 104 cv segue sendo ofertada, mas apenas para frotistas e vendas diretas. O aumento de 15,5%, que vem menos de seis meses após o lançamento do modelo reestilizado, se justifica apenas pelos 4 cv a mais de potência, já que não houve ganho de conteúdo.

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Não é preciso ser matemático nem pós-graduado em Marketing para saber que o realinhamento da dupla mais qualificada também vai puxar os valores do Prisma para cima. Sua reestilização já está na boca do forno e, se a mesma regra for aplicada no sedã compacto, seus preços subirão para a casa dos R$ 50 mil. Nunca é demais lembrar que, em dezembro do ano passado, a GM matou a versão LS do Cobalt, que partia de R$ 44.990.

Em outras palavras, só mesmo um inepto não consegue perceber que, lentamente, o fabricante vai adotando a máxima do “gato por lebre” e, em breve, passará a vender o Prisma básico 1.0 por um valor ainda mais alto do que cobrava pelo Cobalt LS 1.4, há apenas seis meses. Também vale lembrar que, só no primeiro semestre deste ano, as vendas do próprio Cobalt caíram mais de 15%, em relação ao mesmo período de 2015.

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E quem cobre esse prejuízo é o tolo que continua comprando.

Valores surreais

Pior, a GM não é o único fabricante que está “montando” no brasileiro, que aceita pagar valores surreais por um zero-quilômetro. A Honda confirmou que, a partir deste mês, passa a oferece a transmissão automática de variação contínua (CVT) também para a versão de entrada do City, DX - ela era a única equipada exclusivamente com o câmbio manual de cinco marchas. A marca reposicionou e encareceu o sedã em mais de R$ 5 mil e, agora, ele parte de R$ 65.200 – há exatos dois anos, a Honda apresentava a versão 2015 do irmão maior, o Civic, com preços a partir de R$ 65.890.

O reposicionamento do City acontece simultaneamente à chegada da nova geração do Civic, que não sairá por menos de R$ 95 mil.

A Fiat também apresentou o Punto 2017, que agora parte de R$ 51.650 – contra R$ 45.810, da versão 2016. Com o aumento de quase 13%, o modelo de entrada, Attractive 1.4, ganha volante multifuncional em couro, acionamento elétrico também para os vidros traseiros, rádio com CD e leitor MP3.

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Na contramão da concorrência, que segue a cartilha do downsizing com a adoção de motores turboalimentados de menor deslocamento e alta eficiência, a montadora engata a marcha à ré e aposenta seu T-Jet – vai entender. Apenas lembrando que, há dois anos, um Bravo Essence custava R$ 54.750.

Já a Renault adianta que o popular indiano Kwid, recentemente “bombado” em testes de segurança, será vendido como utilitário-esportivo (SUV) compacto no Brasil. O lançamento deve se posicionar na mesma faixa do Mobi Way, da Fiat – a partir de R$ 39.300. Vale citar que, há 18 meses, o novo Sandero Stepway chegava nos revendedores por R$ 47.800. Ou seja, a marca francesa entregará, por um preço muito próximo deste, um veículo infinitamente menos qualificado, equipado com motor 1.0 litro 12V de três cilindros, e que já foi reprovado em testes de proteção.

Fiat, GM, Honda e Renault não fazem mais do que replicar a estratégia de inflacionar os preços, adotada por todas as montadoras e importadores que atuam no país, em uma nova modalidade do clássico “gato por lebre”. Incrível é ninguém, até agora, ter falado nada sobre isso e, mais incrível ainda, é o brasileiro seguir pagando esse "overpriced". E isso, sem bater panelas. #Automobilismo #Crise