Depois de cair para a vice-liderança nacional, com uma das maiores perdas entre os principais fabricantes brasileiros, desde 2013, a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) enfrenta uma acusação de fraude nos Estados Unidos, onde estaria inflando seus números de vendas para manter a curva comercial ascendente – as marcas da FCA registraram alta pelo 75º mês consecutivo, no mercado norte-americano, em junho. A contrafação foi descoberta depois que o alto escalão do próprio grupo ordenou uma auditoria interna, em meados do ano passado. Duas fontes ouvidas pelo jornal “Automotive News” garantiram que até 6.000 unidades corresponderam a “vendas fantasmas”, sem precisar o período em que elas teriam ocorrido, mas o diretor comercial norte-americano, Reid Bigland, já teria colocado um ponto final na galezia.

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Outra fonte citou que alguns concessionários estariam queixosos em relação à prática e que, neste ano, a FCA aumentou a pressão sobre seus revendedores para que eles batessem as metas comerciais. A coação seria tão grande que a rotatividade de vendedores, em nove regionais norte-americanas, está quatro vezes acima do restante dos concessionários do grupo. Investigadores da Comissão de Títulos e Câmbio (Securities and Exchange Commission) e do Departamento de Justiça (Department of Justice) dos Estados Unidos vêm ouvindo, desde o último dia 11, funcionários e ex-funcionários das revendas, em suas casas.

As investigações estão em estágio inicial e nenhuma das agências quis comentar seus andamentos, mas o Napleton Automotive Group, que controla alguns concessionários na região de Chicago, está processando a FCA por extorsão (“civil racketeering”).

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De acordo com o “Automotive News”, a montadora se pronunciou, afirmando que “coopera com a investigação da Comissão de Títulos e Câmbio sobre vendas unitárias de veículos para pessoas físicas” e que, recentemente, “o Departamento de Justiça realizou perquisição semelhante”. A FCA é taxativa em afirmar que as acusações de fraude são “infundadas”.

Pedidos

O crescimento da FCA, no mercado norte-americano, vinha sendo comemorado, mês a mês, pela direção do grupo – na verdade, desde que a Chrysler pediu concordata, em abril de 2009, e ressurgiu das cinzas, em junho do mesmo ano, seu desempenho comercial é o mais destacado do mercado dos EUA. A companhia justificou as incongruências e, em uma declaração, afirmou que registra suas receitas com base nos pedidos entregues aos concessionários e não pelas vendas unitárias – o que corresponderia aos emplacamentos, que são o parâmetro usado no Brasil.

Por aqui, a FCA registrou queda de 55,2% nos licenciamentos, neste primeiro semestre, em relação aos primeiros seis meses de 2013, ano do recorde histórico nacional.

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O mercado brasileiro, como um todo, caiu 44,3% na mesmíssima comparação. Em 2015, as principais marcas do grupo perderam juntas 1,3 ponto percentual de participação no país, enquanto a Hyundai, que hoje ocupa a quarta posição na tabela, atrás da Volkswagen, cresceu 2,1 pontos percentuais. Se as curvas do gráfico dos últimos 12 meses foram mantidas, a FCA teria sua fatia reduzida para 16,5% em 2017, mantendo a vice-liderança, enquanto os sul-coreanos abocanhariam 12,2% do bolo, ultrapassando a VW, que ficaria com 11,1%. #Negócios #Automobilismo