O mercado brasileiro de automóveis começou o segundo semestre com uma boa notícia: pelo terceiro mês consecutivo, as vendas de carros de passeio e comerciais leves subiram. Desta vez, a alta foi de 5% em relação a junho. Apesar do resultado alentador, os números do mês passado ficaram 20,3% abaixo dos registrados no mesmo período de 2015, mostrando que o setor segue em crise – não é à toa que a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) reviu suas projeções para menos e, agora, estima uma queda de 16% para o fechamento deste ano. “Pelo menos conseguimos estancar o sangramento”, afirmou o presidente da entidade, Alarico Assumpção Jr, projetando dias melhores para um futuro próximo.

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A reação, mesmo que tímida, reduziu a margem de perda acumulada nos sete primeiros meses de 2016, que estava em 25,1% e, agora, está em 24,4%.

Comparadas com os números do mesmo intervalo de 2013, ano do recorde histórico do setor, as vendas caíram 44,6%. Com o encolhimento, mais de 1.200 concessionários fecharam as portas só nos últimos sete meses, o que corresponde a 13% do setor de distribuição. De acordo com Assumpção, mais de 120 mil postos de trabalho foram fechados, no período.

O segmento de transportes, que reúne caminhões e ônibus, teve os melhores resultados de julho, com alta de 23% em relação a junho, mas queda de 19,3% sobre o mesmo mês, de 2015. Motocicletas e ciclomotores (-2,3%), bem como os implementos rodoviários (-7,5%), seguiram a mesma tendência de queda de carros de passeio e comerciais leves.

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A situação política era tão grave que se refletia no já combalido cenário econômico. Só com a perspectiva de melhora, mesmo que interina, compradores e investidores já reagiram positivamente”, disse o executivo, dando a entender que o afastamento da presidente Dilma Rousseff fez o setor despertar. “A média diária de vendas deve seguir melhorando”.

Na briga das marcas, a General Motors segue na liderança do mercado brasileiro, com uma participação de 16,6% no acumulado deste ano, seguida pela Fiat, com 15,2% – na soma dos volumes de suas marcas, a Fiat Chrsyler Automobiles (FCA) tem uma participação de 18,1%. Volkswagen, com uma fatia de 13,1%, Hyundai, com 9,9%, e Toyota, com 9,1%, fecham a lista das cinco primeiras – vale citar que, em julho, a Toyota ocupou pela primeira vez a quarta posição no recorte mensal.

Mais vendidos

Já na tabela dos modelos mais vendidos, destaque para o Chevrolet Onix, que manteve a ponta mesmo com alta mínima, de 0,01% em julho. A grande surpresa do mês passado foi a recuperação dos compactos de entrada, segmento que reúne os veículos mais acessíveis do mercado.

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Depois de um longo intervalo de perdas, a categoria reagiu com um crescimento de 18,2% sobre junho, alcançando quase três pontos percentuais de vantagem em relação ao mesmo período de 2015 – para o leitor ter uma ideia, há quatro anos, este nicho tinha uma fatia de 31,2%. O Fiat Mobi, popular nacional mais barato da praça, é uma prova disso: depois de patinar nos primeiros meses, as vendas do compacto subiram 25% só no mês passado, com a chegada da versão Way.

Ainda é cedo para fazer qualquer tipo de previsão, mas é verdade que a onda de otimismo, patrocinada pelos veículos de comunicação partidários ao #Impeachment, deu uma injeção de ânimo no mercado. Mas o desemprego cresceu mais de 38%, nos últimos 12 meses, alavancado pelas demissões das próprias montadoras, e não há nenhum índice que aponte para uma reversão deste quadro. O saldo das carteiras de crédito, que financiam os zero-quilômetros, também caiu mais de 13% no período e, sem renda, ninguém se aventura a comprar o carro novo mais caro do mundo. #Automobilismo #Crise econômica