O brasileiro gosta de pagar caro por coisas que, nos Estados Unidos, Europa e Japão, são muito mais baratas. De iPhones a utilitários-esportivos (SUVs), passando por roupas das grifes de “segunda divisão”, temos um verdadeiro encanto pelo sobrepreço. Não podemos ver uma lata de batatas fritas por R$ 30 que a mão coça, a carteira treme no bolso e compramos aquele lixo, como se estivéssemos diante de uma pechincha. O novo #Jaguar F-Pace é o mais recente exemplo desta bizarrice. A marca britânica, controlada pela gigante indiana Tata – aquela, que produz o microcompacto Nano – desde 2008, trocou a exclusividade de outrora por uma imagem mais cosmopolita e, desde o início deste ano, tem um SUV em seu portfólio.

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Se, no mundo, as vendas da Jaguar saltaram de 65 mil para quase 84 mil unidades, de lá para cá, no Brasil, a Jaguar comercializou minguadas 396 unidades entre janeiro e julho – média de 56 unidades mensais. Em 2015, este volume não passou de 513 unidades e, em 2014, ficou em 381 unidades. Não é nada, não é nada, a expectativa é para um recorde, neste ano. Mas isso não deve encorajar o incauto: nos Estados Unidos, as vendas da marca caíram 8,2%, no ano passado, enquanto na Europa a queda foi de 20,5% - excluindo o novo XE da soma.

Neste cenário, o F-Pace chega meio atrasado – BMW e Mercedes-Benz, por exemplo, aderiram à moda dos utilitários-esportivos há mais de 15 anos – para a briga, mas isso não é problema para quem vai pagar mais de R$ 309 mil por um veículo que, nos Estados Unidos custa o equivalente a menos de R$ 157.515 (US$ 48.700).

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Ou seja, mais que o dobro e isso pela versão “básica”, equipada com motor turbodiesel (20D) de 180 cv. “Outras marcas ingressaram antes de nós, no segmento dos SUVs, mas preferimos desenvolver um modelo que preservasse nossa identidade, o que levou tempo”, argumentou o diretor de marketing e produto, Gabriel Patini.

Qualidade em baixa

Quem acredita nisso pode correr para um dos 33 concessionários nacionais da marca e pagar até R$ 405.900 pelo F-Pace, enquanto os norte-americanos, que têm poder aquisitivo três vezes maior que o dos brasileiros, desembolsam R$ 183.350 (US$ 56.700) pelo mesmíssimo modelo. Aliás, a queda na preferência dos consumidores de lá, pela Jaguar, tem pelo menos uma explicação: no ranking do “Initial Quality Study 2016”, o mais confiável estudo de qualidade inicial, assinado pelo instituo J. D. Power, a marca aparece na 28ª posição dentre 34 fabricantes avaliados – atrás dela, só Mazda, Mini, a coirmã Land Rover, Volvo, Fiat e Smart.

Um vendedor da Jaguar que ler este texto, certamente vai contrapor esta análise com alguns argumentos: “o motor V6 turboalimentado do F-Pace fornece até 380 cv”, “sua transmissão automática conta com oito velocidades”, “ele é equipado com tração integral permanente” e por aí vai...

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Bom, nada disso é uma exclusividade e há outros atributos que o leitor confere nas revistas e sites especializados, bem como nos cadernos de automóveis dos jornais, que fazem uma defesa ainda mais efusiva deste SUV. O que não aparece nessas reportagens – por que será? – é que a marca emplacou dois modelos entre os dez com maior desvalorização no ano passado, com índices maiores que os de três fabricantes chineses.

Ou seja, se o leitor não liga de ao tirar um F-Pace da concessionária e perder até 22% do valor pago (que corresponde a até R$ 89 mil, dependendo da versão), está aí mais um motivo para elegê-lo. Então, boa sorte! #Lançamento #Inovação