O setor automotivo não é mais a “menina dos olhos” da indústria. Prova disso é que, apenas dois anos após iniciar o Project Titan, a #Apple cancelou o plano de produção de seu veículo autônomo, que tinha lançamento previsto para 2020. As razões para o cancelamento deste modelo vão desde conflitos internos, como a saída do Steve Zadesky (ex-engenheiro da Ford e um dos primeiros designers do iPhone) da coordenação do projeto, às baixas perspectivas de ganhos dos investidores. De acordo com a consultoria McKinsey & Co, especializada neste segmento, o mercado global de veículos deve gerar um volume de negócios de US$ 6,7 trilhões (o equivalente a R$ 21,2 trilhões), em 2030, mas as margens de lucro das marcas que sobreviverem até lá devem cair para menos de 10%.

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O problema, aqui, é que os investidores do setor tecnológico estão habituados a ganhos mais altos e os custos de produção do #iCar, como o inédito modelo autônomo vinha sendo chamado, seriam proibitivos. “Acho que Apple conseguiria operar com uma margem bastante saudável, mas a companhia, certamente, não estaria disposta a ceder em questões relativas à qualidade”, observou o analista do Centro – norte-americano – de Pesquisas Automotivas (CAR), Paul Dennis, em entrevista ao jornal “Automotive News”. Para ele, a grande aposta da Apple era revolucionar o mercado de automóveis, da mesma forma que fez com o de smartphones.

Flexibilidade

Mas a marca vai focar naquilo que domina: desenvolvimento de #Tecnologia. Dos cerca de 1.000 especialistas que vinham trabalhando em Sunnyvale, a poucos quilômetros de distância da sede da Apple, na cidade californiana de Cupertino, muitos já foram transferidos para outras áreas ou desligados.

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Concentrando seus esforços em sistemas autônomos, a marca terá mais flexibilidade para operar neste setor. Flexibilidade que, inclusive, foi um dos grandes gargalos detectados nesta fase de projeto. Sem um grande volume inicial de produção, o “iCar” não teria poder de barganha com os fornecedores, ao contrário do que ocorre no segmento de smartphones, onde o poder da Maçã é absoluto.

A notícia de que a Apple lançaria um automóvel totalmente autônomo, sem volante nem pedais, também provocou uma disparada das montadoras tradicionais em direção do desenvolvimento de tecnologia. As gigantes do setor vislumbraram, em tempo, que a concorrência poderia abocanhar a fatia mais promissora e lucrativa do segmento automotivo, atual e futuramente, que é a eletrônica embarcada. Afinal, os fabricantes já arcam com os altíssimos custos das suas plataformas, que incluem trens de forças, sistemas de direção, freios e suspensão, entre outros, amortizados cada vez em mais longo prazo.

Foi isso que afugentou a Apple e seus investidores. “Basicamente, a companhia viu que estava diante de um poço sem fundo”, resume Paul Dennis, da CAR.