O leitor já deve ter reparado que, toda semana, algum veículo vendido no Brasil ganha o título de “melhor disso”, “melhor daquilo”. As honrarias não são criadas e nem conferidas pela imprensa especializada, mas pelas próprias montadoras – na verdade, elas dão passagem, hospedagem, alimentação e um texto de honra ao mérito, praticamente pronto, para os jornalistas que precisam apenas publicá-lo. Sem serem contestados e, muitas vezes, sem terem seus méritos minimamente checados, os fabricantes dão as cartas e são tantos campeões que o consumidor mais inteligente vem ficando, além de confuso, desconfiado. O #Lançamento da nova versão Drive, do Fiat Mobi, é um exemplo do embaralhamento que acontece. Apesar de ser um automóvel qualificado para o segmento que disputa, há pelo menos três inverdades nas reportagens sobre sua chegada ao mercado.

A primeira diz que o #mobi Drive, equipado com motor de apenas três cilindros e 77 cv de potência, é o “1.0 mais econômico do Brasil”. Mentira!

Dados em conformidade com o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro, revelam consumo urbano de 13,7 km/l, em ciclo urbano, e 16,1 km/l, em ciclo rodoviário – com uso exclusivo de gasolina como combustível. A autonomia em cidade do Mobi é, portanto, inferior aos 14,2 km/l, 14 km/l e 13,8 km/l do Up!, da Volkswagen, em três versões – incluindo a TSI, turboalimentada. As médias do #Fiat também ficam longe dos 15,1 km/l e 16,9 km/l, respectivamente, do Peugeot 208, bem como dos 14,8 km/l e 16,6 km/l do Citroën C3, equipados com a motorização PureTech (1.2 litro 12V).

A segunda diz que a versão Drive, que parte de R$ 39.870, “ganhou conteúdo”. Ela ganhou, sim, mas o consumidor, não. Afinal, o cliente vai pagar – e caro – pelo que supostamente estaria ganhando.

Comparado com o modelo Like, que parte de R$ 38.470, o Mobi Drive traz novidades como a direção com assistência elétrica e função City (no Like, a assistência é hidráulica, sem função City), display de alta resolução no painel de instrumentos (a telinha de 3,5 polegadas, da versão Like, é apenas digital) e sistema de pré-aquecimento do combustível para partida a frio (HCSS), que dispensa o uso do tanquinho auxiliar. É inquestionável que este conteúdo está lá no compacto, mas o consumidor não está ganhando nada de graça. Pelo contrário, está pagando R$ 1.400 a mais por um pacote que, convenhamos, tem na função City, que reduz o esforço sobre o volante durante as manobras, o único benefício perceptível para o cliente.

Desempenho

Já a terceira diz que, com o novo motor, “a melhora no comportamento é notável” e que o Mobi ficou mais “esperto e ágil”. Bom, será que dá para perceber isso, na vida real?

A versão Drive é 21 quilos mais leve que as demais e seu ganho em performance pode ser comprovado por dois dados do fabricante: na aceleração de 0 a 100 km/h, o compacto baixou seu tempo de 13,8 s para 12 s; e sua velocidade máxima subiu de 154 km/h para 164 km/h. Como o leitor pode imaginar, dificilmente o usuário comum vai colocar o Mobi à prova nestas condições e, apesar de estes dados mostrarem um avanço no capítulo desempenho, fica evidente que os elogios carregam uma boa dose de exagero. Afinal, são números que apenas e tão somente o colocam em pé de igualdade com a concorrência.

Também vale citar que, comparado à própria versão Easy, o Mobi Drive é apenas 2% mais econômico, em ciclo urbano, e 6% mais econômico, em uso rodoviário.