Depois de ensaiar uma recuperação no segundo trimestre deste ano, o mercado brasileiro de automóveis volta a mergulhar na crise, como mostram os números divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No mês passado, os licenciamentos de carros de passeio e comerciais leves caíram 16,4%, em relação a outubro de 2015 – comparadas a setembro, as vendas encolheram 0,06%. Com o resultado, as perdas acumuladas neste ano chegam a 21,9%, com 1,61 milhão de unidades emplacadas, contra 2,06 milhões.

Segundo o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr., “o consumidor vem encontrando muita dificuldade para aprovação de crédito e as estimativas mais otimistas são para uma recuperação do setor, ainda que modesta, só devem se concretizar em 2017”.

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O encolhimento do #Mercado vem refletindo negativamente também na distribuição e, só nos últimos 14 meses, mais de 1.300 revendedores fecharam as portas, o que representa uma redução de 15% na rede. De acordo com o executivo, hoje “há 7.000 concessionários em operação, no país”.

Os impactos da crise são ainda mais fortes no segmento de transportes. As vendas de caminhões e ônibus caíram quase 32%, nos primeiros dez meses deste ano, em relação a 2015, e só em outubro este nicho encolheu 16,2%, em relação a setembro. Motocicletas e ciclomotores também vão de mal a pior: perdas de 7%, no mês passado, e de 18,8%, no acumulado de 2016. Para o leitor ter uma ideia da recessão que atinge o setor automotivo, comparados aos licenciamentos de 2013, ano do recorde histórico nacional, os emplacamentos deste ano revelam um recuo de 45,3%.

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Na disputa das marcas, a General Motors mantém a liderança, com uma participação de 17,1% (tinha 15,4%, há um ano), seguida de Fiat, com uma fatia de 15,4% (tinha 18%), Volkswagen, com 11,7% (tinha 14,9%), Hyundai, com 10% (tinha 8,1%), e Toyota, com 9,1% (tinha 7%). A dança das cadeiras traz algumas trocas de posição, como a queda da Ford da quarta para a sexta colocação na tabela, e a subida da Toyota da sétima para a quinta colocação. Apesar de ter subido apenas uma posição na tabela, da 11ª para a décima colocação, a Jeep viu sua participação dobrar, de 1,3% para 2,8%.

Corolla

Já na briga dos modelos mais vendidos do país, o Chevrolet Onix segue absoluto com alta de 11,8% no mês passado, em relação a setembro. O HB20, da Hyundai, também se mantém na segunda posição, seguido pelo Ford Ka, que se manteve no “pódio”, mesmo com a queda de 6,3% registrada em outubro. O grande destaque do ranking, no entanto, é o Toyota Corolla, quarto veículo mais vendido do Brasil neste ano, à frente do Prisma – o curioso é notar que enquanto o Corolla parte de R$ 70 mil, o sedã da Chevrolet é bem mais barato, partindo de R$ 54 mil.

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Outros dados mostram, claramente, que só os consumidores de maior poder aquisitivo estão “investindo” em um zero-quilômetro: no mês passado, o Jeep Renegade, que parte de R$ 72 mil, licenciou mais unidades que o ex-líder nacional Palio, da Fiat, que parte de R$ 43 mil. No mesmo período, o Toro, que parte de R$ 83 mil, vendeu mais que a Strada, que parte de R$ 46.800. Já o fraquíssimo desempenho comercial de Uno e Mobi, que juntos emplacaram 5.700 unidades em outubro, pouco mais que as 5.500 unidades emplacadas só pelo Uno, em outubro de 2015, também aponta para a manutenção da crise em médio prazo.

É que assim que o consumidor mais rico renovar sua frota, a tendência é para que haja um hiato de dois ou três anos também na faixa de preços acima dos R$ 65 mil, criando um efeito dominó. Para o vice-presidente executivo da subsidiária nacional da Toyota, Miguel Fonseca, “a recuperação só deve ocorrer após as eleições presidenciais de 2018”. Portanto, só mesmo em 2019 o setor deve retomar o crescimento. Até lá, as previsões mais pessimistas apontam até mesmo para o desaparecimento de algumas marcas, além do reposicionamento de outras. Quem sobreviver, verá! #Automóveis #zero-quilômetros