O #Salão Internacional do Automóvel abre as portas de sua 29ª edição, nesta quinta-feira. A mostra, uma das seis maiores do mundo, fica no São Paulo Expo até o próximo dia 20 e os utilitários-esportivos (SUVs) dão as cartas na maioria dos estandes. O mercado nacional enfrenta uma de suas piores crises, mas nunca tantas montadoras “reafirmaram seu compromisso” com o Brasil e, em meio a uma queda comercial que chega a 45%, nos últimos três anos, é alentador ouvir que o país “tem grande importância estratégica” para os fabricantes. Com a recessão, os modelos com motorização elétrica e direção autônoma são um sonho cada vez mais distante, dando espaço para pseudoaventureiros como o novíssimo WR-V, da Honda.

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O leitor que se lembra do filme publicitário da Peugeot, em que um jovem indiano “customizava” um Hindustan Ambassador na base da batida, da sentada de um elefante, da talhadeira e de muita marretada até ele ficar igual a um 206, certamente fará uma associação entre o antigo comercial e o novo WR-V. Não que o microSUV seja um arremedo, longe disso. Mas seu nome diz tudo: Winsome Runabout-Vehicle ou veículo compacto jovial, em tradução livre, é uma versão com adereços off-road do Fit e nada mais do que isso. As intervenções estéticas, feitas pela equipe brasileira da marca, são suficientes apenas para convencer o consumidor de que este é um modelo inédito – ledo engano.

A Honda não revelou os detalhes técnicos e nem os preços do WR-V que, do Brasil, será exportado para outros mercados latino-americanos e, a partir de março, também será feito na Índia.

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Ao que tudo indica, ele herdará o trem de força mais avançado do Fit, que combina o motor flexível 1.5 litro 16V, de 116 cv, à transmissão automática de variação contínua (CVT). Acreditar que o WR-V é um utilitário-esportivo é muita ingenuidade, mas esperar que ele custe menos de R$ 80 mil é, mesmo, estupidez. Seu preço deve partir de R$ 82.900, matando a versão de entrada (LX) do irmão maior, o HR-V, que hoje sai por R$ 86.800.

Margem de lucro

A General Motors apresenta a versão 2017, reestilizada, do Tracker, que também ganha motorização agora turboalimentada (1.4 litro 16V) de 153 cv – a unidade é combinada exclusivamente à transmissão automática de seis velocidades e à tração dianteira. A Renault, por sua vez, apresentou o Captur nacional, SUV mais qualificado que o Duster, de quem herda os propulsores 1.6 litro 16V, de 120 cv, e 2.0 litros 16V, de 148 cv, que só chega nos revendedores em fevereiro, com preços a partir de R$ 85 mil. Vale lembrar que a marca francesa já havia apresentado outro utilitário-esportivo, o sofisticado Koleos, que vai se posicionar no topo da “cadeia alimentar”.

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Já a Hyundai, finalmente, exibe o Creta, seu novo SUV compacto, que terá motores 1.6 litro 16V, de 130 cv, e 2.0 litros 16V, de 166 cv.

A grande surpresa dos sul-coreanos, no entanto, é o All New Tucson, que corresponde à terceira geração do modelo. O utilitário-esportivo, que será nacionalizado em breve, chega importado nesta primeira fase, com motorização turboalimentada (1.6 litro 16V) de 177 cv e transmissão automática de sete velocidades. São duas versões, GE e GLS, com preços partindo de R$ 139 mil.

O leitor deve estar se perguntando como é que, com uma oferta tão pulverizada em um segmento que não deve alcançar 300 mil unidades neste ano, as montadoras ganharão dinheiro com os SUVs. A resposta é simples: as margens de lucro destes modelos são de três a cinco vezes maiores que as de um médio-compacto. É por isso que os fabricantes vêm concentrando seus lançamentos neste nicho, para compensar as perdas em função da crise. Na ponta do lápis, a cada unidade vendida do 2008 (a partir de R$ 72.400), a Peugeot ganha três vezes mais do que se vendesse um 208 (a partir de R$ 51.200), já que a diferença de custo de produção entre eles não chega a 20% ou R$ 7 mil.

Ou seja, sua rentabilidade com a venda de 10 mil unidades do 2008 é a mesma ou maior do que com a venda de 30 mil unidades do 208. #Lançamento #Automóveis