É praticamente impossível que o Brasil volte à era das carroças, mas o #Salão Internacional do Automóvel deste ano deixa claro que, pelo menos enquanto o mercado nacional não superar a crise, experimentaremos uma espécie de involução no setor. Os utilitários-esportivos (SUVs), que são as vedetes desta 29ª edição da mostra, são um termômetro deste retrocesso. É o caso do Mitsubishi ASX, cuja plataforma (GS) remonta a 2005, mas que acaba de ganhar a chancela “novo” para o ano que vem. A novidade é uma discreta reestilização, bem parecida com a que o igualmente “novo” Jimny recebeu – a geração atual foi lançada no Japão em 1998, portanto, há quase 20 anos.

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Hoje, o jipinho da Suzuki parte de R$ 66 mil, mas a versão 2017 deve chegar nos revendedores ainda mais cara.

A Chery aposta alto no Tiggo 2, SUV compacto inédito que chega como alternativa ao caríssimo HR-V, da Honda. A marca chinesa não divulgou os preços do modelo, que só chega ao mercado no final do primeiro semestre do ano que vem, equipado com motor flexível 1.5 litro 16V de 109 cv. “Nos últimos dois anos, 44 de nossos concessionários foram fechados e, hoje, temos uma rede com 37 pontos”, disse o vice-presidente da subsidiária brasileira, Luis Curi. A expectativa é para que o jipinho tenha preço inicial de menos de R$ 70 mil.

Obviamente que há novidades de peso, entre os utilitários-esportivos, como o Maserati Levante. O grandalhão bolonhês chega ao país em duas versões de acabamento e conteúdo, Luxury e Sport, equipado com motorização turboalimentada (V6 3.0 litros 24V) e potências de 350 cv e 430 cv.

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Seus preços sugeridos são de R$ 640 mil e R$ 740 mil. A BMW também mostra o X2 Concept, protótipo que estreou há poucas semanas, no Salão de Paris, desenvolvido sobre a mesma plataforma do X1, produzido na fábrica catarinense de Araquari. A versão comercial ainda deve demorar para aparecer, mas o fabricante bávaro confirmou que o X2 será nacionalizado em 2018. Seus preços devem começar bem próximos dos R$ 200 mil.

Preços estratosféricos

Como o leitor pode ver, os preços dos modelos mais qualificados chegaram à estratosfera, caso do Range Rover Evoque conversível (R$ 293 mil). Apesar de um SUV descapotável parecer – e ser, mesmo – um contrassenso, a Land Rover acredita que há mercado para ele em terras tupiniquins. Por falar em mercado, nos últimos três anos, a participação dos utilitários-esportivos cresceu 8,6 pontos percentuais, no Brasil – de 9,3%, nos dez primeiros meses de 2013, para 18%, neste ano. O problema é que as vendas da categoria cresceram apenas 6,9%, no período. Pior, o segmento registra queda de 0,2% entre janeiro e outubro, comparado ao mesmo intervalo de 2015.

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Pior ainda, os modelos compactos, que respondiam por 59,3% dos emplacamentos, viram sua participação subir para 78,5%. Em outras palavras, os #SUVs de grande porte vêm perdendo terreno para os pequenos, repetindo o sintoma apresentado pelos populares, antes de a crise estourar. Em um primeiro momento, lá atrás, as vendas se concentraram nos modelos de entrada que, em um segundo momento, viram seus volumes despencarem, puxando todo o setor para baixo. #Automóveis