Nos Estados Unidos, Europa e Japão, a #Segurança é, ao lado de tecnologia e eficiência, um dos três fatores que definem a escolha do consumidor, na hora da compra de um zero-quilômetro. Para norte-americanos, europeus e japoneses, qualquer perda neste quesito é, simplesmente, inadmissível. Bom, por aqui não é bem assim. Acostumados a contrariar as regras mais elementares do mercado, os brasileiros mostram que também estão na contramão, quando o assunto é sua própria proteção. Não é à toa que, em 2016, alguns dos modelos mais vendidos do país e até mesmo um lançamento agendado para o início do ano que vem levaram bomba nos crash tests do Global e Latin #NCAP, principal programa de avaliação da segurança automotiva, em nível mundial.

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Nesta semana, a dupla da Nissan formada por March e Versa foi rebaixada de quatro para três estrelas – em cinco possíveis. O relatório do Latin NCAP diz que os modelos “mal alcançaram três estrelas e, agora, oferecem menos segurança”, acrescentando que “a proteção na região do peito do motorista é fraca e a estrutura do veículo, instável”. Em agosto, o compacto 208 já tinha visto sua nota cair de quatro para duas estrelas, depois que a Peugeot “retirou reforços estruturais” do modelo brasileiro para reduzir seus custos de produção.

A adoção de novos parâmetros de avaliação também vitimou o Palio, da Fiat, que viu suas quatro estrelas virarem uma. Nos seus comentários, o Latin NCAP enfatizou que, no caso de acidentes frontais, a proteção em relação ao peito no motorista é fraca e que, em impactos laterais, ela é ainda pior.

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O abdômen também fica vulnerável neste último caso e, apesar de o modelo contar com reforços nas portas e painéis internos, sua nota geral foi pior que a do próprio Peugeot 208. Vale ressaltar que, quando foi lançada, no final de 2011, a segunda geração do Palio trazia bolsas infláveis laterais que, também por questão de custo, acabaram abolidas.

Economia

Em sua coluna no site “Automotive Business”, o diretor do Instituto de Qualidade Automotiva (IQA), Ingo Pelikan, faz um contraponto entre a sobrevivência financeira das montadoras a qualidade. “Reduzir consumo e aumentar a segurança são ações do Inova-Auto que já foram realizadas, mas processos podem sofrer alterações em função do corte de pessoas e de adequações não eficazes”, ele avalia. Pelikan se refere ao cumprimento de exigência do programa, mas o que parece claro é que, se se todas as montadoras foram obrigadas a agregarem um pacote com freios ABS e bolsas infláveis frontais para todos os modelos vendidos no país, há aquelas que vêm economizando onde o consumidor não enxerga.

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Pior, a precarização estrutural verificada em alguns veículos – em nome da maximização dos lucros, é bom frisar – vem acompanhada de aumentos nos preços. O Peugeot 208, por exemplo, custava R$ 39.990. Hoje, parte de R$ 51.190. São R$ 11.200 de diferença que representam, apenas e tão somente, a recomposição da margem de lucro que o fabricante perdeu, com a queda nas vendas, nos últimos três anos. March e Versa também encareceram, nos últimos anos, e o relatório do Latin NCAP é enfático ao afirmar que “não tem certeza se os modelos feitos no Brasil, atualmente, são tão seguros quanto os produzidos em 2015”.

Por fim, o futuro não é nada promissor. Afinal, a Renault já tem tudo pronto para o lançamento de um modelo, o Kwid, que foi reprovado (nenhuma estrela, em cinco possíveis) em três testes do Global NCAP. Há quase um mês, o diretor comercial da Dacia (braço romeno, que empresta sua marca para Sandero, Logan e Duster, por lá), François Mariotte, confirmou que o compacto não será vendido no mercado europeu em função de “aprimoramentos de segurança que o tornariam inviável”. Ou seja, ele ficaria tão caro que consumidores mais qualificados não pagariam seu preço.

Já por que aqui, onde a Renault promete as mesmas alterações descartadas para a Europa na base do “me engana que eu gosto”, ele terá status de microSUV e preços a partir de R$ 40 mil. #Carros