No início do ano passado, a fabricantes e concessionários projetavam queda de 6% a 7,5% para o mercado brasileiro de automóveis, em 2016. Bom, o resultado consolidado dos últimos 12 meses, divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), ficou muito abaixo do esperado, com queda de 19,8% entre carros de passeio e comerciais leves, um total de 1,98 milhão de unidades e perspectiva de nova queda para 2017. Se o gráfico do setor mantiver a mesma curva dos últimos trimestres, nos dois próximos semestres, teremos mais retração pela frente. Pior, o recorde histórico de 2013 só deve ser igualado em 2025, isso se, até lá, a propriedade de um veículo automotor ainda for cogitada pelo cidadão comum.

Publicidade
Publicidade

Afinal, as pessoas vêm se dando conta de que o carro na garagem não é um patrimônio, mas, sim, um passivo, uma fonte de despesas que não traz nenhum retorno.

“Tomando por base a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1%, projetamos um crescimento de 2,4% para este ano”, disse o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr. Para ele, o setor deve iniciar uma retomada, ainda que em um ritmo muito lento, a partir de agora. Apesar do otimismo contido de Assumpção e do crescimento de 14,6% em dezembro, sobre novembro, os números do mês passado ficaram 9,7% abaixo dos registrados no mesmo período de 2015. Por isso, a previsão mais realista é de nova queda, desta vez de 7% – com um total de, no máximo, 1,85 milhão de unidades – para o fechamento de 2017.

Publicidade

Em outras palavras: quanto este ano terminar, o volume comercial da indústria automotiva será equivalente à metade do alcançado em 2013.

Liderança

Na disputa das marcas, a Chevrolet desbancou a Fiat da liderança nacional, com uma participação de 17,4%, entre carros de passeio e comerciais leves – o Onix também fechou o período como modelo mais vendido do país. A montadora italiana foi a que mais perdeu espaço no #Mercado brasileiro, nos últimos três anos. Sua fatia do bolo diminuiu de 21,3%, em 2013, para 14,7%, no mês passado. Mas quem anda com a – terceira – posição ameaçada é a Volkswagen, que com 11,5% de participação e uma perda de três pontos percentuais, só em 2016, segue “firme” para ser superada pela Hyundai (hoje, com 10%) já neste ano.

Apenas para o leitor ter uma ideia do encolhimento da Fiat, nos últimos três anos, a marca viu suas vendas caírem de quase 763 mil para 304.980 unidades. São 355 mil unidades a menos e basta multiplicar este volume pelo preço médio de R$ 40 mil, por veículo, para presumirmos uma queda de faturamento de R$ 14,2 bilhões - são números que aterrorizam qualquer acionista.

Publicidade

A dupla formada por Uno e Palio, que licenciou mais de 356 mil unidades, em 2013, não chegou nem a 99 mil unidades, no ano passado, e seu novo popular, o Mobi, fechou 2016 na última posição entre os modelos de entrada – na verdade, à frente de Renault Clio e Chevrolet Celta, que já foram descontinuados.

Apesar de o setor ter chegado ao fundo do poço e a única saída, neste caso, ser para cima, a própria Fenabrave parece insegura. “É bom lembrar que, em dezembro, tivemos dois dias úteis a mais, em relação a novembro, e que muitas pessoas receberam a segunda parcela do 13º salário no início do mês”, observou o presidente da Fenabrave. “O alto desemprego, as restrições de crédito e a própria desconfiança do consumidor, além da crise política, são desafios que precisamos vencer para retomarmos, mesmo que moderadamente, o crescimento”, acrescentou Assumpção. #Automóveis #zero-quilômetros