O ano passado foi um dos piores para a indústria automotiva brasileira, desde 1993, ano em que os licenciamentos de carros de passeio e comerciais leves ultrapassaram a casa de um milhão de unidades, pela primeira vez. Só em 2016, a queda chegou a 19,8%, mas se comparamos o último balanço da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) com os números de 2013, a retração chega a 44,5%. Como o leitor pode imaginar, esta perda de mercado é um duro golpe para setor, mas, para algumas marcas, a situação ainda é pior: as vendas da #Volkswagen, por exemplo, despencaram 66,7% nos três últimos anos, mesmo intervalo em que as comercializações da Fiat caíram 60% e que as da Ford encolheram 46,2%.

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“As medidas que o governo vem tomando começam a organizar a economia. A aprovação da PEC que estabelece o teto dos gastos públicos, que dá mais confiança para os investidores, o equacionamento da questão previdenciária e a proposta de uma reforma trabalhista, que também nos dão uma visão positivo para o futuro, nos levam a uma expectativa de crescimento do PIB entre 0,5% e 1% para 2017”, avalia o presente da Anfavea, Antonio Megale, que estima uma retomada para o setor, com alta de 4% neste ano.

Bom, a previsão mais otimista das pesquisas da BMI Research, que avalia o comportamento de 200 mercados em nível global, aposta que os mercados argentino e paraguaio crescerão entre três e quatro vezes mais que o brasileiro, em 2017. Pior: no seu relatório, ela condiciona sua estimativa de crescimento “ao fim da #Crise econômica” no país.

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Realmente, enquanto três das quatro grandes montadoras brasileiras vivem um momento delicadíssimo, a Toyota, com ganho de 2,4% nos últimos três anos, e a Jeep, que saltou do anonimato para a décima posição na tabela, alcançando 3% de participação, provam que há oportunidades no setor, mesmo em períodos de contração.

Futuro em xeque

Por outro lado, grupos como a PSA (Peugeot, Citroën e DS) viram suas fatias minguarem e, agora, vêm o fantasma da incerteza assombrar seu futuro, no país. As comercializações da Peugeot, por exemplo, caíram 55% entre 2013 e o ano passado. No mesmo período, as vendas da Citroën despencaram quase 63%. Com estes resultados, a fatia da PSA no mercado nacional diminuiu de 3,4% para 2,5%. A perda de 0,9 ponto percentual, no bolo, não é tão “visível” quanto os seis pontos percentuais que a Fiat viu desaparecerem de seu “prato”, mas o volume de pouco mais de 50 mil unidades, registrado pelo grupo francês em 2016, põe em xeque suas operações no Brasil. Por quê?

Porque se as vendas de suas marcas tiverem nova contração de 15%, neste ano, os prejuízos podem ser tornar insuportáveis para a matriz – que viu seu volume global cair 1%, em 2016, e tem de prestar contas aos acionistas a este respeito.

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Apenas para o leitor ter uma ideia das mudanças que ocorreram no mercado brasileiro, na última década, as duas marcas francesas tinham, juntas, uma participação de 4,2% nas vendas nacionais, em 2003, com um volume somado de mais de 56 mil unidades – em 2016, portanto 13 anos depois, ambas licenciaram 50.355 unidades. Ou seja, sua fatia no bolo e suas comercializações vêm caindo, sistematicamente.

Paralelamente, a Hyundai, que tinha participação de 0,08% no país, há 13 anos, saltou de 1.069 unidades para quase 198 mil unidades, abocanhando uma fatia de 10% – um crescimento de 185 vezes. A marca projeta vendas globais de 5,6 milhões de unidades em 2020 (crescimento de quase 17%, nos próximos quatro anos) e a Ásia continuará sendo seu principal mercado, respondendo por mais de 48% de suas comercializações. #Automóveis