Se o leitor gosta de acabamento em plástico duro e da transmissão automática de quatro velocidades, aquela que estreou por aqui com o Mégane de segunda geração, em 2006, corra para um concessionário #Renault e encomende o seu #Captur. O novo utilitário-esportivo (SUV) da marca acaba de ser lançado comercialmente, em duas versões, sempre com tração dianteira: Zen (a partir de R$ 79 mil), equipada com motor flexível 1.6 litro 16V – da nova família SCe – de 120 cv, combinado com o câmbio manual de cinco marchas, e Intense (a partir de R$ 88.500), com o conhecido 2.0 litros 16V de 148 cv, casado com a veteraníssima transmissão automática de quatro velocidades.

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Ambos os trens de força vêm do Duster, mas a herança do primo pobre, natural da extinta Cortina de Ferro, não se limita a eles.

Na verdade, o Captur é uma espécie de Duster com outra “casca”. Eles comutam toda a parte estrutural, além dos principais sistemas e, por mais que a Renault tente convencer o incauto do contrário, basta ter em mente o seguinte: este SUV que acaba de ser lançado não é, exatamente, o Captur francês, vendido nos principais mercados europeus, mas o Kaptur russo. O modelo francês usa a mesma plataforma das mais novas gerações dos compactos Twingo e Clio, desenvolvida pela Renault. Já o modelo russo usa a mesma base do trio formado por Sandero, Logan e Duster, desenvolvida pela Dacia, que é a subsidiária romena da companhia.

A lista de conteúdo de cada versão pode ser consultada no site da Renault, mas o leitor não esperar grandes novidades.

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O Captur oferece, basicamente, tudo o que já está disponível para o Duster, acrescentando o importantíssimo controle eletrônico de estabilidade (ESP), LEDs funcionais e faróis auxiliares com orientação para curvas, além de pintura em dois tons. As rodas de liga leve são enormes, aro 17, mas, fora isso, não há nada que impressione.

Não é preciso ser engenheiro de produção para presumir que o Captur é um produto mais rentável que o Duster – achar que é obra filantrópica seria, no mínimo, uma estupidez. Também não é preciso ser adivinho para imaginar que as versões mais caras deste segundo serão descontinuadas, nos próximos meses, para dar espaço à novidade. Futuramente, o modelo Zen vai oferecer a opção de uma transmissão automática de variação contínua (CVT).

No Brasil, queda

Os SUVs são o nicho que mais cresceu, mundialmente, em 2016. No Brasil, as montadoras enxergaram uma saída para a crise neste filão, mas, ao contrário do que a enxurrada de lançamentos sugere, suas vendas andam em baixa por aqui.

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No ano passado, foram licenciadas pouco mais de 302 mil unidades neste segmento, o que representou queda 1,2% em relação a 2015. Já em termos de participação, nos últimos quatro anos, a fatia dos utilitários-esportivos no bolo cresceu de 8,9% para 17,9%, ou seja, mais do que dobrou, entretanto, isso não se traduz em volume: comparados com os de 2012, os números de 2016 mostram alta comercial de apenas 10,5%.

Os SUVs surfam, hoje, uma onda que os monovolumes já surfaram. Em 2006, os minivans chegaram a responder por 7% das vendas nacionais. Em 2010, foram emplacadas mais de 151 mil unidades, volume que caiu para menos de 65 mil unidades, no ano passado. O problema dos utilitários-esportivos é que a oferta está maior do que a demanda e, com tantas opções, as vendas são pulverizadas e os ganhos, diluídos. Para além dos modelos que já nasceram como micos, como o Peugeot 2008, hoje há pelo menos oito modelos para dividir a preferência do consumidor que pretende jogar R$ 80 mil na lata do lixo, comprando um trambolho desses:

Honda HR-V, Jeep Renegade, Nissan Kicks, Ford EcoSport (que chega renovado, em breve), Chevrolet Tracker e Hyundai Creta, além dos próprios Renault Duster, Captur e do Peugeot 2008. Isso sem falar no “baixo clero”!

Ah, um “detalhe” de que íamos esquecendo: na França, onde o poder aquisitivo do trabalhador é 4,5 vezes superior ao do brasileiro, o verdadeiro Captur parte de o equivalente a R$ 55.155 (16.900 euros). #Lançamento