Se a Apple lançasse uma nova versão do iPhone 7, aproveitando a mesma “embalagem”, mas usando toda a parte técnica do modelo 5 – descontinuado em 2015 – e cobrando por ele preços mais altos que os da versão 7 Plus, o mercado não engoliria tamanha picaretagem. Da cobertura especializada da mídia aos fãs mais ardorosos da marca da maçã, haveria um consenso de que aquilo era uma afronta ao consumidor e a rejeição à novidade poderia até mesmo decretar a falência do fabricante. Esta analogia serve muito bem para ilustrar o que a #Honda acaba de fazer, com o lançamento do WR-V. Apresentado como um “SUV compacto” pela montadora, o modelo não passa de uma versão com adereços off-road do #Fit, que herda todas suas qualidades e deficiências, cobrando caro – mas muito caro, mesmo – pela fantasia.

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O #WR-V é uma espécie de divisor de águas, no mercado brasileiro de automóveis. Antes dele, as montadoras apresentavam suas versões Adventure, Cross, Trail e por aí vai com certa hesitação. Como seus departamentos de marketing sabiam que a farsa seria desmascarada, logo no lançamento, executivos e assessores se desdobravam para justificar a ampliação do portfólio – e verdade seja dita, na maioria dos casos, o objetivo era agregar valor à linha e não fazer dinheiro às custas da ingenuidade do comprador.

Com o WR-V é diferente. No lugar da desfaçatez, a Honda reafirma o embuste, justifica uma patacoada com a sanha da avidez. Vende “gato por lebre” sem deslustre, aposta na imbecilidade do consumidor brasileiro para lucrar alto, até porque, no fundo, sabe que a vaidade dos tolos é a fortuna dos malandros.

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O leitor mais qualificado pode se dar por satisfeito com este enunciado, mas há aqueles que ainda querem saber os detalhes do WR-V, mesmo depois de avisados. Então, vamos a eles:

Versões

São duas versões, EX (a partir de astronômicos R$ 79.400) e EXL (a partir de inefáveis R$ 83.400), ambas equipadas com o motor flexível 1.5 litro 16V, de 116 cv, combinado à transmissão automática de variação contínua (CVT). Para não dizer que o WR-V é só um Fit enfeitado, é justo ressaltar que ele tem distância entre-eixos 2,5 cm maior, chegando a 2,55 m – portanto 5 cm inferior à do City – e as suspensões reforçadas: na frente, travessas e buchas são mais resistentes, os amortecedores trazem batentes hidráulicos e a barra estabilizadora, mais espessa; atrás, o eixo de torção tem como base o do HR-V. O pseudoutilitário-esportivo ainda se orgulha da altura livre do solo de 19 cm.

Por dentro, o WR-V é praticamente idêntico ao Fit – a única diferença é o acabamento em dois tons, preto e prata ou preto e laranja.

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A Honda enfatiza que a direção com assistência elétrica foi “refeita” para o lançamento, mas não explicou o que foi refeito nem o porquê de refazer um sistema que, a priori, funciona bem no hatchback e, também, no City. Já no porta-malas, a capacidade volumétrica de 363 litros é a mesmíssima do Fit.

Os dados de consumo do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro, mostram médias de 12,3 km/l e 14,1 km/l, em usos urbanos e rodoviário, para o Fit EX – números referentes ao uso de gasolina como combustível. No HR-V (equipado com motor flexível 1.8 litro 16V, de 140 cv), as médias caem para 10,5 km/l e 12,1 km/l, respectivamente. Já o WR-V fica em uma posição intermediária entre esses dois modelos, com médias de 11,7 km/l e 12,4 km/l, nas mesmas medições. Aqui, o destaque fica por conta da autonomia urbana, superior à de todos os verdadeiros SUVs compactos vendidos no país – excluindo as versões turboalimentadas.

Como já tínhamos adiantado, a chegada do WR-V vai matar, em breve, a versão de entrada do HR-V – a LX, que hoje parte de R$ 79.900. Com isso, a Honda vai aumentar sua rentabilidade, vendendo um modelo menos qualificado e de custo de produção bem mais barato, por preços iguais e até maiores que os do HR-V. Portanto, dê uma chance à sua inteligência!