Se o leitor trabalha em uma montadora de automóveis e se esbaldou, no Carnaval, é bom guardar as recordações da folia deste ano, porque pode ser que, em 2018, você vá desfilar no “Bloco dos Desempregados”. É que as vendas nacionais voltaram a cair, em fevereiro, 7,7% em relação a janeiro e 6,8% em relação ao mesmo mês do ano passado. De acordo com números da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o setor continua mergulhado na crise e, mesmo que os fabricantes mantenham uma posição otimista em relação ao futuro, uma estratégia para iludir o incauto que pretende comprar um zero-quilômetro, não há como negar que a situação se tornou insustentável.

Publicidade
Publicidade

Os dados da Fenabrave não mentem: em 2012, o volume de licenciamentos da Fiat, em fevereiro, foi de 55.400 unidades, entre carros de passeio e comerciais leves. Agora, este volume não chegou a 19 mil unidades – uma queda de mais de 65%!

Nos últimos cinco anos, o #Mercado brasileiro encolheu 43,5% e o resultado é uma ociosidade recorde. “Temos condições de produzir muito mais com a capacidade instalada, no país”, avalia o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale. “Hoje, as fábricas estão trabalhando com uma ociosidade média de 52%”, completou o executivo. Em outras palavras: as demissões do setor, que já fecharam 90 mil postos de trabalho, devem seguir.

Comparados com o primeiro bimestre de 2016, os dois primeiros meses deste ano registraram queda de 5,4%, mas o tombo foi maior no segmento de transporte, que reúne caminhões e ônibus, em que os emplacamentos encolheram 33%.

Publicidade

Entre motocicletas e ciclomotores, as perdas chegam a quase 30%. A #Crise não vem poupando nem os populares, que viram seus emplacamentos caírem 8%, no período, e nem os modelos de luxo, em que a retração está em 6,8%.

General Motors

Na briga dos fabricantes, a General Motors tem muito o que comemorar. Afinal, além de aumentar sua participação de 16,7% para 18,4%, a GM também viu suas vendas crescerem 4,1%. A vice-líder Fiat segue vendo sua fatia no bolo diminuir: tinha 15,2% de participação, no primeiro bimestre de 2016, e agora tem 14% – já suas vendas caíram 13%. A Volkswagen, que vem na terceira posição, também perdeu espaço neste início de ano e sua fatia, que era de 13,9%, agora está em 12,8%. Já seus licenciamentos encolheram 12,8%. Entre as marcas de prestígio, a Land Rover viu suas vendas baixarem 38,4%, enquanto a Audi viu a retração sumir com 38,2% de seus clientes.

Entre os modelos mais vendidos do país, o Chevrolet Onix também mantém a liderança, com ganhos de 11,1%, seguido pelo Hyundai HB20, que se segurou na segunda posição, apesar da queda de 17,3% nos licenciamentos.

Publicidade

O Ford Ka, que ocupava a quarta posição na tabela, no primeiro bimestre de 2016, pulou para o terceiro lugar com alta de 29,8% nas vendas, enquanto o Fiat Palio, que era o terceiro no ano passado, embicou para baixo e, com perdas de 53,7%, cai para o 11º lugar.

Os utilitários-esportivos (SUVs), que fecharam o ano passado com queda, começaram bem em 2017 e, só nestes primeiros dois meses, contabilizam crescimento de 13,2%. Em 2015, eles respondiam por apenas 10,3% do mercado nacional. Hoje, respondem por mais de 21%, mas o problema, aqui, é que a avalanche de lançamentos pulverizou as vendas – e, consequentemente, os ganhos. O HR-V é o melhor exemplo deste fenômeno: O aventureiro da Honda segue na liderança do segmento, mas com vendas 23,7% menores e uma participação que encolheu de sete pontos percentuais – era de 21,4% e, agora, é de 14,4%.

Em fevereiro, o novo Hyndai Creta apareceu como o quarto modelo mais vendido, entre os utilitários-esportivos, deixando Nissan Kicks, Ford EcoSport, Renault Duster e Peugeot 2008 para trás. Só no mês passado, o lançamento abocanhou uma fatia de 9,7% do bolo dos SUVs e a tendência é para ele superar a dupla da Jeep, formada por Renegade e Compass, na virada deste primeiro para o segundo semestre. #Automóvel