Apresentada há quase um ano, na Ásia, a nova geração da Nissan Frontier estreia no Brasil mostrando que “não fica para trás” da arquirrival, a Hilux, quando o assunto é insegurança. Se o modelo da Toyota fez feio no teste do alce, na Escandinávia, chegando a tirar duas rodas de chão em uma manobra evasiva a míseros 59 km/h, a Frontier 2018 foi além. Durante a apresentação da #Picape para a rede de concessionários brasileiros, em uma pista off-road minuciosamente preparada para mostrar toda sua “valentia”, a caminhonete não passou do segundo obstáculo e, literalmente, capotou ao tentar transpor um trecho em inclinação lateral, a menos de 30 km/h!

O leitor vai encontrar entre os defensores da #Nissan, muitos deles repórteres de revistas especializadas que recebem grandes verbas publicitárias da marca, todo tipo de justificativa.

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Há até mesmo quem diga que a “picape não teve culpa” no capotamento, como se um veículo automotor tivesse vontade própria, que a pista tinha o mesmo grau de dificuldade de um Rali Dakar e por aí vai. Ou seja, não faltarão argumentos para desafiar a sua inteligência.

Obviamente, a servidão de jornalistas e blogueiros tentará apagar esta macha, antes mesmo que ela tinja a nova Frontier com o corante da reprovação. Mas ainda existe quem dá valor ao seu dinheiro e, para não jogar quase R$ 170 mil na lata do lixo, colocando a família e o próprio pescoço em risco, o incauto precisa pensar duas, três, quatro, quantas vezes forem necessárias antes de embarcar em uma canoa furada.

Quem se aventurar a bordo da versão 2018 poderá conferir, pelo menos enquanto a picape estiver com as quatro rodas no chão, as novidades que a Nissan destaca.

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A cabine é inédita e o novo motor turbodiesel 2.3 litros 16V, fornece 190 cv. Este propulsor tem deslocamento inferior ao da antiga unidade 2.5 litros 16V, compensando a menor capacidade volumétrica com a adoção de dois turbocompressores, ao invés de apenas um. Junto com esta motorização chegam a transmissão automática de sete velocidades, que substitui o conjunto de cinco velocidades.

A sopa de letrinhas com ESP (controle eletrônico de estabilidade), HCD (limitador de velocidade em declives) e Hill Holder (auxílio de partida em aclives), estes dois últimos estreantes na versão 2018, está lá, mas ela não impediu que a nova Frontier ficasse de rodas para o ar em um simples “desfile” de apresentação. Bolsas infláveis, a caminhonete só traz duas – na Ranger, são sete – e o terceiro passageiro do banco traseiro, que viaja no centro, não dispõe nem de cinto de três pontos.

Estrutura

A Nissan enfatiza que a estrutura foi reforçada, respondendo às críticas de vários proprietários da caminhonete, que se queixavam da suspensão traseira.

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É que apesar de a Frontier ter capacidade de carga homologada para uma tonelada, o antigo conjunto “abria o bico” quando ela era carregada com menos de a metade disto. Resta saber se a troca dos feixes de molas pelas molas helicoidais, uma receita nada ortodoxa, vai redimir a picape das críticas.

Rachaduras na caçamba, ferrugem no teto, superaquecimento crônico, perda de potência repentina em função da contaminação do filtro de partículas, falta de conectores para a central multimídia, vazamento de óleo no turbocompressor, demora no atendimento da rede de concessionários e falta de peças de reposição são outros problemas recorrentes da Frontier que, ao que parece, determinaram sua derrocada entre as picapes médias. Os números não mentem:

Em 2012, a caminhonete tinha 10,6% de participação e ocupava a quinta posição no ranking da categoria. No ano passado, sua fatia que caiu para 2,3%, perdendo três colocações na tabela – no período, suas vendas caíram 79,4%. No primeiro bimestre deste ano, suas vendas subiram 16,3%, mais sua participação caiu de novo, agora 0,4 ponto percentual. Isso tudo, enquanto seus preços subiram mais de 33%. Em resumo, trata-se de um modelo em franco declínio.

Sinceramente, compra pior do que esta é difícil até de imaginar. Portanto, fuja!