A venda da Opel – e da sua subsidiária britânica, a Vauxhall – para o Grupo #PSA (Peugeot-Citroën), pelo equivalente a R$ 7,2 bilhões (2,2 bilhões de euros), livra a General Motors de dois grandes problemas: o primeiro deles é o “samba do crioulo doido” das mudanças regulatórias no Velho Continente, que se seguirão à saída dos ingleses da União Europeia. O segundo, era a verdadeira âncora que ambas as marcas representavam para #GM, no que tange à valorização de suas ações. É que o bom resultado alcançado pela Opel no ano passado, quando comercializou quase 1,17 milhão de veículos, com crescimento de 4,6% sobre 2015, não fará mais do que interromper quase duas décadas de prejuízo.

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Para nos adaptarmos às transformações geopolíticas da Europa, teríamos que gastar muito dinheiro e isso comprometeria nossos investimentos nos mercados norte-americano e chinês, além do desenvolvimento de tecnologias autônomas”, justificou o presidente da companhia, Dan Ammann. “Por outro lado, estra transação nos permitirá melhorar o retorno para os acionistas, valorizando nossos papéis”.

Ammann tem uma visão pragmática sobre o futuro do setor: “Vamos focar nossos recursos em negócios com maiores taxas de retorno, dentro da indústria automotiva, como as tecnologias que vão revolucionar a produção de veículos”, declarou o executivo. “Hoje, a Europa é muito diferente dos outros grandes mercados em que a GM atua. Na prática, isso representa um grande complicador, porque apenas 20% do portfólio futuro da Opel – e, consequentemente, da Vauxhall – seria comutado com as outras marcas do grupo”.

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Traduzindo: depois de colecionar perdas com a Opel, no Velho Continente, a GM vai concentrar suas ações onde há ganhos. “Este negócio reforça nosso comprometimento com um futuro mais lucrativo para a companhia”, enfatiza a presidente-executiva (CEO) do grupo, Mary Barra. Hoje, a General Motors ocupa a quarta posição (7,9 milhões de unidades vendidas, em 2016) entre os maiores grupos automotivos do mundo, enquanto a PSA ocupa a nona colocação (3,2 milhões de unidades). Nenhuma das duas corporações mudará de posição, na tabela, mas os franceses se aproximarão da FCA (Fiat-Chrysler) e da Honda, na disputa pela sétima colocação.

Lucro

A PSA espera que as operações da Opel alcancem uma margem de lucro de 2%, nos próximos dois anos, e de 6%, entre 2020 e 2026. Para os franceses, este parece um bom negócio. Mas para a GM, que nos últimos dois anos logrou margens de lucro de 10% no mercado norte-americano, o negócio não parece tão bom. Esperta, a General Motors se garantiu com uma cláusula no contrato que impede a PSA de vender as atuais linhas da Opel e da Vauxhall em novos mercados, o que só poderá ocorrer quando o grupo francês migrar das plataformas atuais para suas próprias bases.

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Ou seja, quando “peugeotizar” ou “citroëntizar” os modelos de ambas as marcas.

Pode parecer um contrassenso, mas, depois que a compra for sacramentada, a GM praticamente deixará o mercado europeu. “Obviamente, seguiremos ofertando alguns modelos da Cadillac, bem como os esportivos Camaro e Corvette, da Chevrolet, no Velho Continente”, disse Dan Ammann. “Estamos falando de baixos volumes e não pensamos em recuperar uma posição de protagonismo, na Europa, em médio e longo prazos. Na verdade, não enxergamos boas oportunidades para a indústria automotiva, no mercado europeu, nem mesmo com grandes volumes”, acrescentou. Mas isso não significa dar as costas para milhões de consumidores.

A venda da Opel não nos proíbe de oferecermos serviços voltados para mobilidade e compartilhamento de veículos”, lembra Mary Barra. Vale lembrar que a parceria que a GM e a PSA mantêm há quatro anos, para o desenvolvimento de #Automóveis elétricos, segue firme e forte. A Opel também seguirá fornecendo o conversível Cascada, o médio-compacto Astra, o sedã Insignia, os utilitários-esportivos (SUV) Encore e Trax para a norte-americana Buick e para a australiana Holden.