Em terra de cego, que tem um olho é rei”. O ditado popular pode explicar o frenesi que os números de #Março causaram no, ainda combalido, mercado automotivo. O balanço da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostra que, com mais de 183 mil unidades licenciadas, o mês passado foi de recuperação para o setor, com alta expressiva de 38,8% sobre fevereiro, e de 6,1% sobre março de 2016. Apesar do bom resultado, no mês passado, as #vendas nacionais fecharam o primeiro trimestre com queda de 1,1% em relação ao mesmo período de 2016. Apoiados pela subserviência da imprensa especializada que, de olho nas verbas publicitárias das montadoras, festeja a evolução com mais ênfase do que a cobertura esportiva celebra os feitos da Seleção Brasileira, os fabricantes já projetam crescimento de 4% para este ano.

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Apesar do clima de oba-oba, nunca é demais lembra que, comparadas aos emplacamentos do primeiro trimestre de 2012, ano do recorde histórico nacional, as vendas dos três últimos meses mostram queda de mais de 40%. Ou seja, o setor terá que, basicamente, se refazer para retomar os números de cinco anos atrás – apenas para o leitor ter uma ideia, a diferença entre os volumes do mês passado e do mesmo período de 2012 foi de mais de 100 mil unidades!

O que encoraja os mais otimistas é que, desde fevereiro de 2014, portanto há mais de três anos, os licenciamentos de carros de passeio e comerciais leves não tinham resultado positivo, sobre o mesmo mês do ano anterior. Resta saber se março irá marcar, mesmo, um ponto de inflexão para o mercado. O mais alentador é que todos os segmentos do setor tiveram bons resultados no mês passado, em relação a fevereiro.

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O segmento de transportes, que reúne caminhões e ônibus, viu suas vendas crescerem 39,4% em março (no saldo do primeiro trimestre, no entanto, a queda está 25,3%), e as motocicletas e ciclomotores comemoram um aquecimento de 37% (no acumulado deste ano, a retração chega a mais de 26%.

Liderança

Na disputa das marcas, a Chevrolet mantém a liderança, com uma participação de 17,8% (era de 18,4%, no fechamento do primeiro bimestre) entre carros de passeio e comerciais leves. Em segundo, aparece a Fiat, que continua perdendo espaço e tem agora uma fatia de 13,6% (era 14%). Na sequência, vêm Volkswagen, com 12,7% (tinha 12,8%), Hyundai, com 9,3% (tinha 8,7%), e Ford, com 9,2% – esta última, sem alteração percentual. A única mudança, para o fechamento do terceiro trimestre, foi a troca de posições entre Hyundai, que subiu da quinta para a quarta colocação, e Ford. Quem também ganhou espaço foi a Nissan, que viu sua participação subir de 3,8%, no primeiro bimestre, para 4,1%.

O Onix, da Chevrolet, fechou mais um mês na liderança nacional, seguido do Hyundai HB20 e do Ford Ka.

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Mas o grande destaque de março foi o Renault Sandero que, com alta de 55,8%, terminou como o quarto modelo mais vendido do país. No mês passado, o Chevrolet Prisma, com ganhos de quase 70% nos seus licenciamentos, também desbancou o Toyota Corolla da sexta posição. Entre as picapes, Strada e Toro mantiveram a hegemonia da Fiat entre os modelos leves e médios, e, entre os veículos comerciais, o Renault Master segue absoluto, com uma fatia de 34%.

Mas é entre os utilitários-esportivos (SUVs) que a disputa se acirra. O Honda HR-V aparece destacado na liderança, com uma participação de 13,6%, seguido pelo Jeep Compass que, surpreendentemente, se firmou na segunda posição, com uma fatia de 12%. Renegade, Nissan Kicks e Hyundai Creta vêm em terceiro, quarto e quinto lugares, mas o modelo da Jeep deve ser superado por Kicks e Creta ainda neste primeiro semestre, dando sinais de esgotamento comercial. E acredite se quiser, o farsante WR-V superou o Captur, da Renault, no primeiro mês de mercado dos novatos. Já a participação dos SUVs segue crescendo e dos 8,9%, que tinha há cinco anos, já responde por 20,8% do mercado nacional. #Automóveis