O mercado brasileiro de automóveis é, indubitavelmente, palco para novos estudos da Economia. Uma das máximas desta ciência, “A Lei da Oferta e da Procura”, propõe que são os consumidores que determinam os preços, por uma equação bastante simples. Simples e velha, afinal, Adam Smith (1723-1790), em “A Riqueza das Nações”, publicado em 1776, e Alfred Marshall (1842-1924), em “Princípios da Economia”, publicado em 1890, já tratavam de seu funcionamento milagroso. Bom, em terras tupiniquins a coisa não segue, exatamente, a lógica e o lançamento da linha 2018 do Up!, da #Volkswagen, mostra que não há exagero em dizer que, por aqui, até mesmo a exatidão dos números é subvertida.

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Nos últimos dois anos, as vendas do subcompacto caíram 48,8%, de 17.200 para 8.800 unidades, enquanto seus preços subiram 31,5%, contrariando a “Lei da Oferta e da Procura” que prega que, quando a demanda por um produto diminui, sem preço também tende a cair. Nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, a coisa funciona assim, mas no Brasil a matemática se inverte. A perversão que acontece por aqui também pode ser observada, quando analisamos a participação do popular da Volkswagen, no segmento de entrada. Ela caiu de 12,1% para 10,7%, nos últimos 24 meses, mostrando que suas perdas foram maiores que as do próprio mercado nacional.

Pois bem. Depois desta introdução, o leitor deve estar pronto para os novos preços do Up!, que agora parte de R$ 38 mil – ante R$ 28.900, há apenas dois anos.

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Este valor corresponde à versão “pé-de-boi”, Take, sem direção assistida, ar-condicionado, travas e vidros dianteiros elétricos. Se o coitado optar por estes opcionais, o preço já sobe para R$ 43.200, chegando a mais de R$ 60 mil, no modelo topo de linha, High – o leitor pode simular a compra, conferindo os valores de cada versão no site da marca.

Nada de série

Para ganhar a chancela premium, se posicionando acima do Gol na “cadeia alimentar” da VW, o Up! passou por uma reestilização de meia-vida. A carroceria de duas portas foi descontinuada, para simplificar a produção, e o motor 1.0 litro 12V aspirado, de 82 cv, deixar de equipar as versões mais caras (Cross e High), enquanto os para-choques ganham “massa” para deixar o subcompacto mais encorpado – ele está 8,4 cm maior. Grade, faróis e lanternas também foram remaquiados.

Por dentro, os tecidos trazem novas padronagens e o quadro de instrumentos, conta-giros maior e iluminação por luzes diodo (LEDs). Entre os opcionais, há novidades como faróis auxiliares com orientação para as curvas, sensores crepuscular e de chuva.

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Ainda no quesito perfumaria, o sistema Composition Phone ganha nova tela e passar a contar com um aplicativo para acessar o computador de bordo e o navegador por satélite (GPS). Mas note, caro leitor, que o aumento de preços não trouxe nada, absolutamente, nada de série.

A subversão da Economia tem uma razão de ser: é que mesmo com queda de 1% nas vendas no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2016, o faturamento dos fabricantes no país cresceu quase 6%, chegando a R$ 33 bilhões, segundo dados dos consultores da Jato Dynamics. E adivinhe que está pagando este "almoço"?!? #Automóveis #Up!