Quando a palavra híbrido é pronunciada, o primeiro pensamento que vem à cabeça é sobre animais resultantes do cruzamento entre duas espécies diferentes. No mundo do automobilismo, essa palavra tem um sentido mais amplo, mas o conceito é bem parecido.

Isso porque, para ser considerado híbrido, um carro deve possuir dois motores, um deles com propulsão a combustão e o outro, elétrico. Outra característica nesse tipo de veículo é que eles não liberam poluentes e são considerados ecologicamente corretos.

Geralmente esse tipo de carro possui um motor à gasolina e outro movido a eletricidade, responsável por auxiliá-lo. Mas, o que ainda não existe, no seleto mundo dos carros híbridos, é um carro em que um dos motores seja movido por uma combinação entre eletricidade e a tecnologia flexfuel, que combina vários combustíveis.

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Essa combinação inédita pode se tornar realidade em um futuro próximo e depende da boa vontade de montadoras que tenham interesse em investir em uma parceria com a Universidade de São Paulo (#USP), que está à frente do projeto.

Segundo a agência de notícias USP, o Fapesp-Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI), que fica dentro da Escola Politécnica da USP (Poli), a ideia é criar um carro híbrido/flex, a partir da adaptação de um veículo híbrido. A iniciativa permitirá a criação do primeiro carro #híbrido flex do mundo, podendo impulsionar o uso da tecnologia híbrida no Brasil.

Hoje, existem apenas cinco modelos de carros híbridos à venda no Brasil: Toyota Prius, Lexus CT200h, Ford Fusion Hybrid, Mitsubishi Outlander PHEV e BMW i8. Esse cenário, composto por veículos ainda muito caros, - o Prius é o mais barato deles e custa cerca de R$ 120 mil - pode mudar totalmente com a popularização desse tipo de tecnologia.

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Parcerias à vista

"Estamos procurando um fabricante de veículos que se interesse por esse projeto, no qual já temos como parceiro o Instituto Mauá de Tecnologia", adianta o diretor científico do RCGI, Julio Meneghini. De acordo com o profissional, as tratativas iniciais envolvem dois fabricantes, para que se possa transformar o veículo. "A seguir, passaremos a adaptá-la para gás natural e biometano”, acrescenta.

A ideia dos pesquisadores é adaptar o veículo híbrido para que ele possa utilizar como combustível gasolina pura, a gasolina nacional, que tem 27% de etanol anidro, o etanol hidratado, o gás natural comprimido e o biometano - este último, um biogás purificado, de onde são removidas partículas de dióxido de carbono e outros gases prejudiciais ao meio ambiente.

Viabilidade no país do carro flex

Ainda de acordo com Meneghini, a tendência é que os carros no Brasil sejam flexfuel, sobretudo usando gasolina e etanol, eventualmente podendo utilizar gás natural e biometano.

O responsável pela pesquisa acredita qu o maior desafio do projeto, além das adaptações, é obter uma eficiência superior a de um carro flex convencional nos quesitos consumo e emissões de poluentes.

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Meneghini acredita que o resultado será um veículo com tecnologia mais econômica, tanto no que diz respeito ao consumo de combustível quanto à emissão de gases que causam o efeito estufa. "Falo tanto das emissões de dióxido de carbono originário de combustíveis fósseis quanto do CO2 originário de fontes renováveis, como o etanol”, salienta.

Dentre as modificações que devem ser feitas no carro híbrido resultante do projeto, ele cita o uso de bicos ejetores com pré-aquecimento, devido à inclusão do etanol como combustível. Outras alterações propostas também dizem respeito a adaptações para que o carro possa rodar com GNC ou biometano. #autos