Depois de um sopro de recuperação, o #Mercado brasileiro de #Automóveis voltou a registrar queda no mês passado, mostrando que a crise do setor está longe, mas muito longe, de ser revertida. Os números de abril, divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), mostram retrações de quase 17%, em relação a março, e de 3,2% sobre o mesmo período de 2016. No acumulado do primeiro quadrimestre deste ano, a perda está em 1,6% – já na comparação com o 2012, ano do recorde histórico nacional, o retrocesso chega a impressionantes 39,8%. Como abril teve apenas 18 dias úteis, a Fenabrave faz uma avaliação positiva e prevê que a retomada do crescimento já começou, com a melhor média diária de vendas dos concessionários, de 8.461 unidades.

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“Lentamente, a economia vem se recuperando e o aumento de 4,3% no volume comercial diário, nos concessionários, nos levar a crer que iniciamos uma recuperação”, avalia o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr. Apesar da perspectiva positiva, em relação a carros de passeio e comerciais leves, os segmentos de transportes, que reúne caminhões e ônibus (-22,7%, nos primeiros quatros meses deste ano), e de duas rodas (-27,3%, no período) ainda estão mergulhados na crise.

A presença de modelos como Toyota Corolla, Honda HR-V e Fiat Toro, todos modelos com preços acima R$ 85 mil, entre os mais vendidos do país mostra que o setor vem sendo sustentado por uma elite, que não se incomoda com os sucessivos aumentos de preços. É só observar o seguinte: há cinco anos, os populares respondiam por 33% dos emplacamentos, enquanto os utilitários-esportivos (SUVs) não chegavam a 9%.

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Hoje, a fatia dos modelos de entrada foi reduzida para 20%, enquanto os SUVs mais do dobraram sua participação – que fechou o mês passado em 23%.

Como os utilitários-esportivos garantem margens de lucro até três vezes maiores para os fabricantes, em relação aos compactos, duas de cada três marcas estão focando este nicho para salvar suas contas. Obviamente, é o incauto que paga o pato, mas o consumidor brasileiro parece não ligar para isso.

Jeep Compass

Não foi à toa que o grande destaque de abril foi o Jeep Compass que, mesmo com queda de 1% em relação a março, superou o HR-V, na briga dos utilitários-esportivos – o SUV da Honda ainda aparece na liderança, no acumulado deste ano, com mais de 14.750 unidades emplacadas. Na contramão da ascensão do irmão mais caro, o Renegade volta a registrar baixa nos licenciamentos, desta vez de mais de 12% só no mês passado. O caçula da Jeep segue uma tendência inversa à do Hyundai Creta, que mantém sua média mensal acima das 3.000 unidades e deve ultrapassá-lo ainda neste primeiro semestre.

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O Nissan Kicks também vem perdendo fôlego, com queda de quase 54% só em abril, enquanto o Captur, da Renault, parece ter “micado” no parto, a exemplo do Peugeot 2008. Ambos não conseguem ultrapassar a casa das 800 unidades mensais e a marca do leão, recentemente, lançou uma campanha em que paga R$ 500 para quem trocar seu utilitário-esportivo por outro, da concorrência – se não suspender a “promoção”, vai quebrar rapidinho. Quem teve mais sorte ao nascer foi o WR-V, que já ultrapassou o próprio Fit, de que deriva, no seu segundo mês de mercado.

“Quem” fechou mais um mês como líder absoluto foi o Onix, da Chevrolet, com mais de 12.600 unidades licenciadas em abril. O HB20, da Hyundai, ficou longe na segunda posição, com menos de 8.000 mil unidades vendidas. Na contramão do Compass, a dupla da Fiat formada por Uno e Palio segue no mais deprimente declínio, com perdas que 10,9% e 57,2%, respectivamente, sobre os volumes de 2016. A antes imbatível Strada também dá sinais de cansaço e, depois de perdeu seu reinado para a irmã maior, Toro, agora entrou na alça de mira da Saveiro, da Volkswagen.

E uma curiosidade: apesar de ter sido descontinuada há 20 anos, a Ford Pampa emplacou duas unidades em abril. Vai entender... #WR-V