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O brasileiro vai testemunhar um novo golpe até o final deste ano. Desta vez, ele não será dado no Congresso Nacional, mas nos revendedores #Volkswagen, onde o Golf será substituído pelo irmão menor, o Polo. Trocar um veículo maior por outro, menor, não configura sedição, mas quando os preços do maior são herdados pelo menor, a coisa muda de figura.

Há mais de 60 anos no Brasil, a VW tem longa experiência e já viu esses estratagemas colarem com facilidade, por aqui. Na verdade, ela sabe que, ao invés de se insurgirem contra quem os passa para trás, os tupiniquins geralmente respondem com sujeição ainda maior e boicotar um automóvel, por mais acintoso que seja seu valor, não é para nós.

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É por isso que a Volks acelera o #Lançamento comercial do #Novo Polo, usando a imprensa vassalizada para criar uma grande expectativa em relação à sua nacionalização, enquanto prepara a descontinuação do Golf. “Se as vendas continuarem muito baixas, podemos interromper a produção do Golf, mas vamos ver como fica”, disse o presidente brasileiro e latino-americano da montadora, David Powels. A afirmação caiu como uma bomba no mercado, há menos de um mês, tanto é que a VW fez questão de desmentir o próprio chefão dez dias depois, garantindo que o modelo segue firme e forte e por aí vai – mentira, obviamente.

Apenas para o leitor ter uma ideia, as vendas do Golf caíram, ou melhor, despencaram 66,1%, nos últimos cinco anos. Hoje, suas comercializações mensais giram na casa de 390 unidades – isso, em todo o Brasil!

A bem da verdade, a culpa não é da Volkswagen, mas do próprio mercado, que não assimilou a alta estratosférica nos preços deste segmento.

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Basta ver o seguinte: hoje, o Golf tem mais de 22% de participação entre os médios-compactos, atrás apenas do Chevrolet Cruze Sport6. Em 2012, quando vendia três vezes mais, sua fatia não chegava nem a 13%. Ou seja, mesmo com menos participação, ele alcançava volumes bem maiores. O nicho, como um todo, encolheu de mais de 64 mil para 12.300 unidades e o modelo da VW afundou junto.

Bom, o leitor mais atento deve estar se perguntando por que, então, a marca seguirá investindo em uma categoria que vai de mal a pior, certo?

Margens de lucro

Na verdade, a substituição do Golf pelo Polo vai garantir maiores margens de lucro para a montadora e é isso – e apenas isso – que interessa. Enquanto o Golf parte, hoje, de R$ 78.130 (na versão Comfortline 1.6 MSI, equipada com câmbio manual de cinco marchas), o Polo deverá partir de R$ 66 mil, valor imediatamente acima da opção mais avançada do Fox.

Pode parecer uma redução muito grande, mas o Polo, que tem menor custo de produção, também terá maior índice de nacionalização e, logo depois do lançamento, seus valores serão reajustados para a casa dos R$ 70 mil.

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Na ponta do lápis, será uma operação 50% mais rentável – para a VW, é lógico.

O motor turboalimentado 1.4 TSI, que já foi abolido na Europa, não equipará o Polo, que vai usar o 1.0 TSI (que já equipa o up! e o Golf), de 128 cv, bem como o 1.6 MSI, de 120 cv. A transmissão automática de seis velocidades será a mesma usada atualmente pelo Golf e há quem fale até mesmo em uma versão popular – a Fiat, por exemplo, oferta o Argo Drive 1.0 por R$ 47 mil [VIDEO] e, como tem anormal que compra, a Volks pode querer fazer o mesmo. O Polo também virá acompanhado de sua variante sedã, o Virtus, que ocupará o espaço do Jetta – que já deixou de ser feito, no Brasil. Some aí, também, uma maior economia de escala e pronto!

A maior traquinagem do Polo, no entanto, não será a estratégia de ganhar mais com menos – que é lícita, por sinal. O modelo 1.0 TSI será rebatizado de “200 TSI”, escondendo que trata-se de um popular turboalimentado, mas mantendo seus benefícios tributários, sugestionando o incauto com um número que o leva a crer que trata-se de um 2.0 ou, pior, de um veículo com 200 cv de potência. Na verdade, o 200 vem do valor de torque (20,4 mkgf), mas em Newton-metros (Nm) ao invés de metro-quilograma-força, como é usual no nosso mercado. Como ando dizendo, é golpe atrás de golpe...