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Os utilitários-esportivos (SUVs) são mais do que a bola da vez: são a tábua de salvação para a indústria automotiva, no momento em que ela tem que aumentar sua rentabilidade em um cenário dificílimo. Como os SUVs garantem margens de lucro de três a cinco vezes maiores, comparadas às dos compactos e médios-compactos, o leitor verá cada vez mais modelos deste segmento nas ruas e isso, mesmo com preços cada vez mais altos. É por esta razão que a #Volkswagen brasileira deve substituir o Golf pelo novíssimo #T-Roc, na linha de montagem de São José dos Pinhais (PR), no prazo de um ano. No lugar do Golf, ficará o Polo [VIDEO], enquanto o novo utilitário-esportivo vai se posicionar na mesma faixa de preços do Tiguan.

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A estratégia não tem nada a ver com a preferência do consumidor, mas apenas e tão somente com as contas da subsidiária nacional, que precisa remeter mais dinheiro para a matriz alemã.

Para dar conta desta missão, no momento em que o mercado brasileiro segue mergulhado na crise, a VW vai reposicionar sua linha, colocando modelos de produção mais barata (Polo e T-Roc) no lugar de outros, mais qualificados, porém, menos rentáveis. “Teremos dois novos SUVs inéditos para o país, além do Tiguan Allspace”, garantiu o presidente nacional da marca, David Powels, há 10 dias. Na última semana, a assessoria de imprensa da montadora se desdobrou para desmentir Powels, mas a palavra dele tem mais credibilidade que a de seus lacaios, então, o lançamento do T-Roc no país é uma certeza.

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Mas em qual nicho o T-Roc vai se inserir?

Com 4,23 metros de comprimento, o novo utilitário-esportivo é 25 cm menor que o Tiguan e 2 cm menor que o Golf, de quem herdou a plataforma MQB. Sua distância entre-eixos, de 2,60 m, também é 8 cm menor que a do Tiguan e 3,5 cm menor que a do próprio Golf. Comparado com o Honda HR-V, líder de vendas da categoria no Brasil, o lançamento da Volks é 6 cm menor. Já comparado ao Jeep Compass, vice-líder nacional da classe, a desvantagem é maior, de 18,5 cm. Na Europa, o T-Roc terá preços a partir de 20 mil euros, o equivalente a R$ 74.230 – correspondentes a 13,5 salários mínimos franceses. Lá, seus valores serão apenas 10% maiores que os do Golf, mas, por aqui, o novo SUV será inflacionado à casa dos R$ 90 mil – correspondentes a 96 salários mínimos brasileiros.

Comparado a HR-V e Compass, o T-Roc sobressai pelo trem de força mais moderno e econômico, que combina motorizações turboalimentadas, partindo da versão 1.0 TSI, ao câmbio pré-seletivo (DSG) com embreagem dupla e sete marchas.

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Sua lista de conteúdo é, basicamente, a mesma do Golf, que não deixa absolutamente nada a desejar em relação à dupla formada pelo Honda e pelo Jeep. Já em termos de estilo, o lançamento da VW está mais para o Compass do que para o HR-V que, em breve, deve passar por uma atualização, reforçando seu estilo mais cosmopolita em contraponto à imagem de robustez, com desenho mais quadradão, escolhida para o T-Roc.

Urgência

O novo utilitário-esportivo tem urgência, nos planos da Volks. Afinal, seu segmento é alvo de uma avalanche de lançamentos e, mesmo que sua participação nas vendas nacionais tenha crescido de 9% para 21,5%, nos últimos cinco anos, hoje 13 modelos de dez marcas diferentes brigam pela preferência do consumidor comum, entre os SUVs – em 2012, o protagonismo se restringia a Ford EcoSport e Renault Duster. É verdade que este nicho cresceu 45% no período, contrariando a queda de 40% registrada pelo setor, como um todo. Mas as vendas foram pulverizadas a média de quase 3.800 unidades mensais, registradas pelo Honda HR-V neste ano, é pouco maior que as 3.200 unidades mensais que o Duster vendia, cinco anos atrás.

No caso específico da Renault, a dupla formada pelo próprio Duster e pelo Captur vendeu 15.800 unidades, nos primeiros setes meses deste ano, menos do que este primeiro vendeu (22.293 unidades), sozinho, no mesmo intervalo de 2012. Traduzindo: para conquistar seu espaço, o Volkswagen T-Roc terá que roubar um pouquinho da fatia de cada adversário e delimitar seu terreno, até porque os utilitários-esportivos parecem ter estacionado na casa das 35 mil unidades mensais, podendo alcançar as 40 mil unidades mensais no segundo semestre de 2018, em uma projeção para lá de otimista.

Portanto, mesmo que tenha um sucesso meteórico ao ser nacionalizado, no ano que vem, o T-Roc dificilmente alcançará uma participação de 10%, entre os SUVs. De qualquer forma, uma previsão comercial otimista, de 3.500 unidades mensais, é animadora diante das menos de 400 unidades mensais do Golf, hoje. Como o leitor pode ver, os fabricantes seguirão se desdobrando para disputar fatias cada vez menores, mas contando – como sempre – com a vaidade dos brasileiros para garantirem seus ganhos na base dos preços extorsivos e da incapacidade intelectual tupiniquim. #Preço